A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (26), uma operação de grande escala contra o tráfico internacional de cocaína por rotas marítimas, resultando no bloqueio de R$ 65 milhões em bens e valores de uma organização criminosa que atuava em cinco estados brasileiros. A ação, denominada Operação Mar Aberto, cumpriu 12 mandados de prisão preventiva e 20 de busca e apreensão em Porto Alegre (RS), Santos (SP), Rio de Janeiro (RJ), Vitória (ES) e Salvador (BA), além de bloquear contas bancárias, imóveis, veículos e embarcações de luxo utilizadas pelo grupo.
Segundo as investigações, iniciadas em 2023, a quadrilha utilizava portos brasileiros como pontos de embarque de cocaína para a Europa e a África, ocultando a droga em cargas legais, como contêineres de soja, café e minério de ferro. O esquema contava com a participação de funcionários de terminais portuários, agentes de navegação e empresários do setor logístico, que facilitavam o desembaraço aduaneiro e a corrupção de fiscais. A PF estima que o grupo tenha movimentado mais de 30 toneladas de cocaína nos últimos dois anos, com lucros superiores a US$ 500 milhões no mercado internacional.
Panorama político e impacto regional
A operação ocorre em um momento de crescente pressão internacional sobre o Brasil para combater o narcotráfico, especialmente após a classificação de facções como PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos. O diretor da PF, Andrei Rodrigues, já havia criticado essa classificação, defendendo estratégias distintas para o crime organizado doméstico. A ação desta quarta-feira reforça a capacidade de investigação da PF, mas expõe a fragilidade dos portos brasileiros, que seguem sendo rota preferencial do tráfico global, conforme apontam relatórios da UNODC (Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime).
O bloqueio de R$ 65 milhões representa um duro golpe financeiro na organização, mas especialistas alertam que o volume de recursos movimentado pelo tráfico marítimo exige ações coordenadas com países vizinhos, como Argentina, Paraguai e Uruguai, que recentemente firmaram acordo para perseguição policial além das fronteiras. A PF também investiga conexões do grupo com cartéis mexicanos e máfias italianas, o que pode ampliar o alcance da operação para outros continentes.
Em nota, a Polícia Federal informou que as investigações continuam e que novos mandados podem ser expedidos nos próximos dias. A operação conta com o apoio da Receita Federal e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que monitoram movimentações suspeitas em portos e aeroportos. O caso reforça a necessidade de modernização dos sistemas de controle portuário e de maior integração entre as forças de segurança do Brasil e de outros países para desmantelar redes criminosas que exploram as rotas marítimas.
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