A Corte Suprema de Cassação da Itália, última instância do sistema judicial italiano, divulgou nesta sexta-feira (12) os motivos que levaram à anulação da extradição da ex-deputada Carla Zambelli ao Brasil, em decisão publicada em 22 de maio. O tribunal italiano apontou que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acumulou funções de vítima, juiz de primeira instância, juiz de segunda instância e juiz da execução no processo, o que, segundo os magistrados, viola os princípios de imparcialidade e independência judicial. Com a decisão, Zambelli foi solta no fim do mês passado, revertendo a sentença anterior da Corte de Apelações da Itália.
A decisão da Corte Suprema de Cassação, publicada em italiano, cita textualmente: “Bem como insuficiência e ilogicidade da fundamentação em relação ao acúmulo das funções de vítima, juiz de primeira instância, juiz de segunda instância e juiz da execução na pessoa de M.A.D.M. [Ministro Alexandre de Moraes], integrante do Supremo Tribunal Federal do Brasil, em violação ao princípio da imparcialidade e da independência do juiz”. O documento ressalta que a atuação de Moraes no caso comprometeu a imparcialidade necessária para a condução do processo, gerando questionamentos sobre a legalidade da extradição.
Panorama político e jurídico
O caso envolve uma complexa trama jurídica e política, que começou com a perseguição judicial movida por Carla Zambelli contra o jornalista Luan Araújo, alvo de uma decisão de prisão por difamação em São Paulo. A situação ganhou contornos internacionais quando a Justiça italiana, inicialmente, acatou o pedido de extradição de Zambelli, mas a decisão foi revertida pela Suprema Corte. A anulação da extradição ocorre em meio a um cenário de tensão entre os sistemas judiciais do Brasil e da Itália, com críticas à atuação de magistrados brasileiros em casos de alta repercussão.
A decisão italiana também reacende o debate sobre a independência judicial no Brasil, especialmente em relação ao papel de Alexandre de Moraes no STF, que tem sido alvo de críticas por sua atuação em processos envolvendo figuras políticas. Enquanto isso, a defesa de Robinho recorre ao STF para retirar a hediondez do crime de estupro, em um caso que também envolve a Justiça italiana, mostrando a complexidade das relações jurídicas entre os dois países.
O impacto político da decisão é amplo, pois envolve não apenas a liberdade de Zambelli, mas também a credibilidade do sistema judicial brasileiro no exterior. A ex-deputada, que foi perseguida por sua atuação política, agora vê sua situação legal se complicar ainda mais, enquanto o STF se vê pressionado a esclarecer os limites da atuação de seus ministros em casos de grande repercussão.
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