Homem é preso por suspeita de ejacular em passageira dentro do metrô de Salvador

Um homem foi preso em flagrante na manhã desta quinta-feira, 26 de junho de 2026, suspeito de ejacular em uma passageira dentro do metrô de Salvador. O caso ocorreu na Estação Acesso Norte, uma das mais movimentadas da capital baiana, e foi registrado pela Delegacia da Mulher, que agora conduz as investigações. A prisão foi realizada por agentes de segurança do sistema metroviário, que acionaram a Polícia Civil após a vítima denunciar o ato.

A passageira, que não teve o nome divulgado, relatou que estava em um vagão lotado quando o suspeito se aproximou e, sem qualquer contato físico prévio, ejaculou em suas roupas. Imediatamente, ela gritou por socorro e outros usuários do metrô ajudaram a conter o homem até a chegada dos seguranças. O suspeito foi levado para a delegacia, onde permanece à disposição da Justiça. A Delegacia da Mulher, especializada no atendimento a vítimas de violência de gênero, informou que o homem será indiciado por importunação sexual, crime previsto no Código Penal Brasileiro, com pena de 1 a 5 anos de reclusão.

O episódio reacende o debate sobre a segurança no transporte público de Salvador, que já registrou outros casos de assédio sexual nos últimos meses. Dados da Secretaria de Segurança Pública da Bahia indicam que, apenas em 2025, foram registradas mais de 200 denúncias de importunação sexual em estações de metrô e ônibus da Região Metropolitana. A situação é agravada pela superlotação nos horários de pico, que facilita a ação de agressores. A CCR Metrô Bahia, concessionária responsável pelo sistema, afirmou em nota que reforçou o patrulhamento nas estações e que está colaborando com as investigações. A empresa também destacou que disponibiliza canais de denúncia anônima, como o aplicativo CCR Mobilidade, e que realiza campanhas de conscientização contra o assédio.

O caso também levanta questões sobre a efetividade das políticas de combate ao assédio no transporte público. Em 2024, a Prefeitura de Salvador lançou o programa “Transporte Seguro”, que prevê a instalação de câmeras de monitoramento em todas as estações e a capacitação de funcionários para lidar com denúncias. No entanto, especialistas apontam que a medida ainda é insuficiente. A advogada e ativista pelos direitos das mulheres, Maria dos Santos, afirmou que “a cultura do assédio é estrutural e exige ações mais amplas, como educação sexual nas escolas e campanhas permanentes de conscientização”. Ela também criticou a falta de punições mais rigorosas, que muitas vezes resultam em penas brandas ou na liberdade provisória dos agressores.

O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, manifestou-se sobre o caso em sua conta no X (antigo Twitter), classificando o ato como “inaceitável” e prometendo reforçar a segurança no transporte público. “Não vamos tolerar nenhum tipo de violência contra as mulheres. Estamos trabalhando para que o metrô seja um espaço seguro para todos”, escreveu. Já a prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria de Mobilidade, informou que está em tratativas com a CCR para ampliar o número de agentes de segurança nas estações e que estuda a criação de vagões exclusivos para mulheres nos horários de pico, medida já adotada em outras capitais, como São Paulo e Rio de Janeiro.

O caso da Estação Acesso Norte é mais um capítulo na luta contra o assédio no transporte público brasileiro. Em 2023, uma pesquisa do Instituto Datafolha revelou que 34% das mulheres brasileiras já sofreram algum tipo de assédio sexual em meios de transporte. A situação é ainda mais grave nas regiões metropolitanas, onde a superlotação e a falta de fiscalização criam um ambiente propício para agressões. A prisão do suspeito em Salvador, embora represente um avanço no combate ao crime, ainda deixa em aberto a necessidade de políticas mais eficazes e de uma mudança cultural profunda para garantir a segurança e a dignidade das mulheres no espaço público.

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