Em meio à disputa simbólica pelo uso da camisa da seleção brasileira, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) convocou apoiadores a vestirem a “camisa do Bolsonaro” para acompanhar os jogos da Copa do Mundo de 2026, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) publicou foto com o uniforme amarelo e verde, reafirmando que “o Brasil é dos brasileiros”. A declaração de Flávio foi feita em vídeo publicado nas redes sociais na quinta-feira (11), durante agenda de pré-campanha no Pará, e ocorre em um contexto de polarização política que transformou o vestuário esportivo em campo de batalha eleitoral.
“A Copa do Mundo começa hoje. E a gente vai torcer pro Brasil. A gente vai botar a camisa do Bolsonaro que vocês estão vestindo aí. Torcer pra nossa seleção”, afirmou Flávio no vídeo, onde é possível ver apoiadores vestindo a camisa da Seleção. A fala se insere em uma estratégia de associar a imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) aos símbolos nacionais, especialmente a bandeira e o uniforme da seleção, que nos últimos anos passaram a ser frequentemente usados em manifestações de direita.
Disputa simbólica e mobilização eleitoral
Nesta semana, Lula publicou nas redes sociais uma fotografia com a camisa amarela da seleção e short azul, com a legenda “O Brasil é dos brasileiros”. A publicação foi interpretada como uma tentativa de resgatar o uso do uniforme para além do campo político bolsonarista, em um momento em que as pesquisas para a reeleição mostram o petista na liderança. No discurso, Flávio associou a bandeira do Brasil à direita e criticou o governo Lula: “O Lula é tão ladrão que até a bandeira ele quer roubar. O PT largou a bandeira do Brasil na lata do lixo. O Bolsonaro foi lá, pegou essa bandeira e levantou com orgulho porque a gente é brasileiro”, declarou.
Para o cientista político Murilo Medeiros, ao reforçar a conexão com as cores nacionais, Flávio tenta manter mobilizada a base bolsonarista e transmitir a ideia de continuidade do espólio político do ex-presidente, em defesa de valores como conservadorismo e defesa da pátria. “A Copa do Mundo potencializa essa discussão porque o futebol é um instrumento capaz de unir diferentes segmentos da sociedade em torno de uma identidade comum. Eleitoralmente, nenhum dos dois campos políticos quer abrir mão do simbolismo de vincular-se à camisa da seleção brasileira”, afirma Medeiros.
Ataques à segurança pública e acusações contra o governo
O senador também fez ataques ao governo federal em relação à segurança pública. Flávio afirmou que brasileiros assistirão aos jogos do mundial em casa por medo da violência, e acusou o presidente de ter viajado aos Estados Unidos para “fazer lobby a favor de traficantes e de terroristas das facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC)”. Em junho, as facções brasileiras Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital passaram a ser classificadas como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos, medida que gerou reações políticas no Brasil.
Flávio cumpriu compromissos no Pará na quinta-feira, onde participou de agendas de pré-campanha. A declaração sobre a camisa e os ataques ao governo ocorrem em um momento de intensa disputa eleitoral, com a Copa do Mundo servindo como pano de fundo para a mobilização de bases e a tentativa de ocupar o espaço simbólico dos símbolos nacionais.
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