A repercussão das mobilizações para as agendas de JHC (PSDB) no interior de Alagoas abriu uma crise nos bastidores de sua pré-campanha ao Governo do Estado. Segundo relatos de aliados, o ex-prefeito passou a se queixar, em conversas reservadas, que não tinha conhecimento da contratação de vans, ônibus e pessoas para reforçar seus atos políticos. A insatisfação gerou mal-estar direto com o deputado Kelmann, um dos articuladores das movimentações, e expôs fissuras na base tucana em um momento estratégico para a sucessão estadual.
As queixas de JHC ocorrem em meio a um cenário de acirramento da disputa pelo Palácio dos Martírios, onde o PSDB busca consolidar uma candidatura própria após anos de alianças com o MDB e o PT. A mobilização de transporte para levar apoiadores a eventos no interior, prática comum em campanhas eleitorais, tornou-se alvo de críticas internas justamente por levantar suspeitas sobre o uso de recursos e a transparência das ações. Aliados ouvidos pela reportagem afirmam que o ex-prefeito teria dito a interlocutores que não autorizou nem foi informado sobre a logística envolvendo os veículos, o que contraria a versão de assessores próximos a Kelmann.
Panorama político e impactos na pré-campanha
O episódio ocorre em um contexto de reorganização das forças políticas em Alagoas, onde o governador Paulo Dantas (MDB) busca a reeleição com ampla máquina pública, enquanto o PSDB tenta surfar na popularidade de JHC, ex-prefeito de Maceió com alta aprovação. A crise interna, no entanto, pode enfraquecer a pré-campanha tucana ao expor divergências entre o candidato e seus principais apoiadores. O deputado Kelmann, que tem atuado como articulador no interior, nega qualquer desgaste e afirma que a mobilização foi feita de forma voluntária por simpatizantes, mas o mal-estar já ecoa entre lideranças municipais.
Especialistas em política alagoana apontam que a tentativa de JHC de se desvincular da mobilização pode ser uma estratégia para evitar desgastes com a Justiça Eleitoral e com a opinião pública, especialmente em um momento em que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) intensifica o combate a abusos de poder econômico. A contratação de transporte para eventos políticos, quando não declarada ou feita com recursos não contabilizados, pode configurar irregularidades. A situação também reacende o debate sobre o financiamento de campanhas e o papel dos chamados “cabos eleitorais” no interior do estado.
Enquanto isso, a base do governo Dantas acompanha com atenção os desdobramentos, vendo na crise uma oportunidade de explorar a fragilidade da oposição. Nos bastidores, aliados de JHC tentam conter os danos e reafirmar a unidade do partido, mas o episódio já é tratado como um sinal de que a pré-campanha tucana precisará de mais coordenação e transparência para enfrentar os desafios da sucessão estadual. A reportagem da Folha de Alagoas, que primeiro divulgou o caso, segue acompanhando as movimentações e os desdobramentos dessa crise que promete marcar o início da corrida eleitoral de 2026.
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