Homem se passava por criança de 12 anos em rede social para abusar de meninas; vítima mais nova tinha 9 anos

Um homem foi preso em Manaus suspeito de se passar por uma criança de 12 anos em redes sociais para aliciar e abusar sexualmente de meninas, em um caso que chocou a região e expõe a vulnerabilidade de menores em ambientes digitais. A investigação, conduzida pela Polícia Civil da Paraíba, identificou múltiplas vítimas, incluindo uma menina de apenas 9 anos. O crime, classificado como estupro de vulnerável, mobilizou forças de segurança de dois estados e reacendeu o debate sobre a proteção infantil online e a necessidade de políticas públicas mais rigorosas contra o aliciamento virtual.

De acordo com as autoridades, o suspeito criava perfis falsos em plataformas de jogos e redes sociais, apresentando-se como um garoto de 12 anos para ganhar a confiança das vítimas. Após estabelecer contato, ele utilizava técnicas de manipulação psicológica para obter imagens íntimas e, em alguns casos, marcar encontros presenciais que resultaram em abusos. A investigação começou após uma denúncia anônima registrada na Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos da Paraíba, que rastreou o IP do suspeito até Manaus, onde ele foi localizado e preso em flagrante.

Panorama político e social

O caso ocorre em um contexto de crescente preocupação com a segurança digital de crianças e adolescentes no Brasil. Dados do Disque 100 indicam que as denúncias de violência sexual contra menores aumentaram 30% nos últimos dois anos, com destaque para crimes cometidos por meio de aplicativos de mensagens e jogos online. Especialistas apontam que a falta de regulação efetiva das plataformas digitais e a ausência de campanhas educativas massivas contribuem para a vulnerabilidade das vítimas. A Polícia Civil da Paraíba reforçou que a operação contou com o apoio da Polícia Civil do Amazonas e da Polícia Federal, evidenciando a necessidade de cooperação interestadual para combater crimes cibernéticos.

O suspeito, cujo nome não foi divulgado, responderá por estupro de vulnerável, associação criminosa e produção de material de abuso sexual infantil. A prisão foi comemorada por organizações de defesa dos direitos das crianças, como o Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (CEDECA), que destacou a importância de denúncias rápidas e do fortalecimento das delegacias especializadas. No entanto, o caso também expõe lacunas no sistema de proteção: a vítima de 9 anos, por exemplo, só foi identificada após meses de abusos, o que levanta questionamentos sobre a eficácia dos mecanismos de monitoramento escolar e familiar.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública da Paraíba afirmou que a operação faz parte de uma força-tarefa nacional contra crimes cibernéticos, que já resultou em mais de 50 prisões em 2025. A pasta também anunciou a criação de um canal exclusivo para denúncias de aliciamento online, em parceria com o Ministério da Justiça. Apesar dos avanços, parlamentares da oposição criticam a lentidão do governo federal na implementação do Marco Civil da Internet e na regulamentação de plataformas estrangeiras, que muitas vezes dificultam o acesso a dados de usuários suspeitos.

O caso de Manaus não é isolado. Em abril, um homem foi preso no Rio de Janeiro sob acusação semelhante, e em maio, uma operação em São Paulo desmantelou uma rede que usava perfis falsos para aliciar adolescentes. A recorrência dos crimes acendeu o alerta entre educadores e psicólogos, que defendem a inclusão de educação digital nas escolas como forma de prevenção. Enquanto isso, a Polícia Civil da Paraíba segue investigando se o suspeito tem outras vítimas em outros estados, e as famílias das meninas envolvidas foram encaminhadas para acompanhamento psicológico.

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