A delegada de Polícia Civil Luana Tamiozzo Medeiros recorda o momento em que confrontou Amanda Maria Souza de Oliveira, 37, mulher que se apresentava como uma menina de 11 ou 12 anos chamada Gabrielly da Silva Ferreira em diferentes cidades do Rio Grande do Sul. A investigação da 2ª Delegacia de Polícia de Cachoeirinha prendeu a mulher em 2021, cinco anos após o início do esquema. O caso, que chocou a região metropolitana de Porto Alegre, expõe as fragilidades nos sistemas de identificação e acolhimento de menores, além de levantar questões sobre a atuação das redes de proteção social.
De acordo com a delegada, a abordagem ocorreu após meses de monitoramento e coleta de provas. “Ela mantinha a voz infantil e a postura de criança, mas, quando apresentei as evidências, a farsa caiu”, relatou Luana Tamiozzo Medeiros. A suspeita utilizava documentos falsos e histórias elaboradas para enganar famílias, escolas e serviços públicos, obtendo abrigo e assistência como se fosse uma menor vulnerável. O caso ganhou repercussão nacional por envolver uma longa simulação que durou de 2016 a 2021.
Panorama político e social
O episódio ocorre em um contexto de debate sobre o aperfeiçoamento dos cadastros civis e a integração entre órgãos de segurança e assistência social. No Rio Grande do Sul, a Polícia Civil tem enfrentado desafios para coibir fraudes de identidade, especialmente aquelas que exploram a boa-fé de instituições de acolhimento. A investigação da 2ª Delegacia de Polícia de Cachoeirinha contou com o apoio de equipes especializadas em crimes cibernéticos e documentais, revelando a complexidade do caso.
“Casos como este mostram a necessidade de protocolos mais rigorosos na verificação de identidade de crianças e adolescentes, especialmente quando há indícios de inconsistências”, afirmou a delegada. A prisão de Amanda Maria Souza de Oliveira ocorreu em 2021, e ela responde por falsidade ideológica, estelionato e uso de documento falso. A sentença, ainda em tramitação, pode incluir penas que variam de 2 a 8 anos de reclusão, dependendo da gravidade das fraudes cometidas.
O caso também reacendeu o debate sobre a atuação das redes de proteção à infância, que muitas vezes atuam com recursos limitados e sem capacidade de cruzamento de dados em tempo real. Especialistas apontam que a integração entre sistemas estaduais e federais, como o Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes Desaparecidos, poderia evitar situações similares. Enquanto isso, a delegada Luana Tamiozzo Medeiros segue como referência na condução de investigações que envolvem fraudes de identidade e crimes contra a ordem pública.
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