Há 30 anos, política alagoana vivia era de coronelismo e mandonismo durante último título mundial do Brasil

Em 1994, quando a seleção brasileira de futebol conquistou o tetracampeonato mundial nos Estados Unidos, a política em Alagoas vivia um período marcado pelo coronelismo, pelo mandonismo e pela forte influência de oligarquias regionais, em contraste com a euforia nacional. Naquela época, o estado era governado por Divaldo Suruagy, que cumpria seu segundo mandato não consecutivo, e a Assembleia Legislativa era dominada por grupos políticos tradicionais, com baixa renovação e pouca representatividade popular.

A economia alagoana, fortemente dependente do setor sucroalcooleiro, ainda sentia os efeitos da crise do Proálcool e da modernização produtiva, que geravam desemprego e êxodo rural. As cidades, especialmente a capital Maceió, enfrentavam problemas crônicos de infraestrutura, saneamento básico e violência urbana, enquanto o interior padecia com a seca e a falta de acesso a serviços essenciais.

Panorama político e social

O cenário político alagoano de 1994 era dominado por disputas entre as famílias Suruagy, Calheiros e Rocha, que se alternavam no poder e controlavam prefeituras e cargos estaduais. A imprensa local, embora combativa, enfrentava limitações tecnológicas e de alcance, e as denúncias de corrupção e clientelismo eram frequentes, mas raramente resultavam em punições efetivas.

Naquele ano, o Brasil vivia o primeiro governo de Itamar Franco após o impeachment de Fernando Collor – que, ironicamente, era alagoano e havia renunciado em 1992. O estado ainda carregava o estigma do escândalo político, e a população demonstrava descrença nas instituições. Enquanto isso, a seleção canarinho, liderada por Romário e Dunga, unia o país em torno do futebol, mas as desigualdades regionais permaneciam gritantes.

Impactos e legado

O título mundial de 1994 não alterou a realidade política de Alagoas, que continuou a ser marcada por práticas arcaicas de poder até os anos 2000. A falta de políticas públicas efetivas para educação, saúde e habitação contrastava com a festa nacional, e muitos alagoanos sequer tiveram acesso à transmissão dos jogos, devido à precariedade da rede elétrica e de telecomunicações no interior.

Atualmente, o estado ainda busca superar esse passado, com avanços pontuais em transparência e gestão, mas a memória do coronelismo dos anos 1990 serve como alerta para os desafios da democracia alagoana. O contraste entre a alegria do tetra e a dura realidade política local permanece como um capítulo pouco lembrado, mas essencial para entender as transformações recentes.

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