Um aliado do prefeito de Maceió, JHC (PL), admitiu publicamente que transporta apoiadores da capital para o interior do estado com o objetivo de “fazer volume” em eventos políticos, conforme revelou a Tribuna do Sertão nesta semana. A declaração, feita durante uma reunião partidária, expõe uma prática que pode configurar abuso de poder político e uso eleitoral de recursos públicos, em um contexto de disputa acirrada pelo governo estadual e por cadeiras na Assembleia Legislativa.
A admissão ocorre em meio a denúncias de que a máquina pública municipal estaria sendo utilizada para garantir presença em comícios e carreatas no interior, especialmente em cidades estratégicas para a base aliada de JHC. O aliado, cujo nome não foi divulgado pela reportagem original, teria afirmado que a estratégia é comum e visa demonstrar força política, mesmo que os participantes não tenham vínculo direto com as localidades onde os eventos ocorrem.
Impacto político e reações
A prática de “fazer volume” — ou seja, levar pessoas de outras regiões para inflar plateias — é vista por analistas como um indicativo de fragilidade na base de apoio local e pode gerar questionamentos na Justiça Eleitoral. Em Alagoas, onde a polarização entre o grupo de JHC e a oposição tem se intensificado, a revelação reforça suspeitas de que a prefeitura de Maceió estaria sendo usada como plataforma para projetos estaduais e nacionais.
O Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) já investiga casos similares em outras campanhas, e a declaração pode abrir nova frente de apuração. Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que o transporte de eleitores para eventos configura crime eleitoral se houver uso de recursos públicos ou coação, o que pode levar a multas e até cassação de candidaturas.
Contexto mais amplo
A situação se insere em um panorama de crescente judicialização da política em Alagoas, onde denúncias de abuso de poder econômico e político têm marcado as eleições. Nos últimos meses, ao menos três prefeitos foram alvo de representações por suposto uso da máquina pública em favor de candidatos aliados. A revelação da Tribuna do Sertão, portanto, não é um caso isolado, mas sintoma de um sistema em que o voto é tratado como mercadoria e a participação popular, como encenação.
Até o fechamento desta edição, a assessoria de JHC não se manifestou sobre o caso. A oposição, por sua vez, já anunciou que ingressará com representação no Ministério Público Eleitoral para investigar a fundo a denúncia. A população de Maceió e do interior aguarda os desdobramentos, enquanto a credibilidade do processo eleitoral volta a ser posta à prova.
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