Ministério Público do Pará acusa pré-candidato ao governo de usar ‘laranja ambiental’ para escapar de multa milionária por desmatamento

O Ministério Público do Pará apresentou à Justiça uma ação civil pública que aponta o ex-prefeito de Ananindeua e pré-candidato ao governo do estado, Dr. Daniel Santos (Podemos), como responsável pelo desmatamento ilegal de áreas protegidas, além de revelar a utilização de um ‘laranja ambiental’ para driblar o pagamento de uma multa milionária. A denúncia, protocolada na última semana, expõe um esquema que teria ocultado o verdadeiro proprietário de terras devastadas, impedindo a aplicação de sanções financeiras e ambientais previstas em lei.

De acordo com a ação, as investigações do Ministério Público identificaram que Dr. Daniel Santos figurava como real beneficiário de desmatamentos ocorridos em imóveis rurais, mas utilizou interpostas pessoas físicas e jurídicas para registrar as áreas em nome de terceiros. A prática, conhecida como ‘laranja ambiental’, teria sido adotada para evitar a responsabilização direta e o pagamento de multas que somam valores milionários, conforme documentos anexados ao processo. A multa original, aplicada por órgãos ambientais estaduais, ainda não foi quitada, e o MP busca o bloqueio de bens do pré-candidato e dos envolvidos.

Esquema de ocultação e impacto ambiental

As provas colhidas pelo Ministério Público incluem registros de propriedade, contratos de compra e venda, e imagens de satélite que comprovam a degradação de áreas de floresta nativa. O desmatamento ilegal, ocorrido entre 2022 e 2025, afetou ecossistemas sensíveis na região metropolitana de Belém, com impactos diretos na biodiversidade e no clima local. A ação também aponta que o esquema envolveu a transferência de títulos de terra para pessoas sem capacidade financeira ou técnica para gerir as áreas, caracterizando a figura do ‘laranja’. O MP requer, além do pagamento da multa, a reparação integral dos danos ambientais e a indisponibilidade de bens do pré-candidato e de seus supostos laranjas.

O caso ganha relevância no cenário político paraense, já que Dr. Daniel Santos é um dos nomes cotados para a sucessão estadual em 2026, com base eleitoral consolidada em Ananindeua, segundo maior colégio eleitoral do Pará. A denúncia do Ministério Público ocorre em meio a um acirramento da disputa política local, com o atual governador Helder Barbalho (MDB) buscando a reeleição e enfrentando críticas de setores da oposição sobre a gestão ambiental. A ação pode influenciar o cenário eleitoral, colocando em xeque a imagem de defesa do meio ambiente que alguns candidatos tentam construir.

Até o momento, a defesa de Dr. Daniel Santos não se manifestou publicamente sobre o conteúdo da ação. O Ministério Público do Pará informou que aguarda a decisão judicial sobre os pedidos de liminar, que incluem o afastamento do pré-candidato de qualquer cargo público e a proibição de contratar com o poder público. O caso tramita em segredo de justiça, mas a repercussão já atinge os bastidores políticos, com aliados e adversários monitorando os desdobramentos. A sociedade civil e organizações ambientais acompanham o processo, que pode se tornar um dos marcos na luta contra o desmatamento ilegal e a corrupção ambiental no estado.

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