A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que condenou Eduardo Bolsonaro a 4 anos de prisão e 12 anos de inelegibilidade por coação no processo do golpe elevou o tom do embate entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT). A sentença, proferida em 26 de junho de 2026, gerou reações imediatas: o senador Flávio Bolsonaro criticou a condenação, enquanto petistas reagiram com acusações de traição à pátria contra o ex-presidente e seus familiares.
O caso teve origem em investigações sobre a participação de Eduardo Bolsonaro em atos que buscavam coagir o STF a reverter o resultado das eleições de 2022. A condenação, que incluiu a perda de direitos políticos por 12 anos, foi baseada em provas de que o deputado federal teria articulado pressões contra ministros da Corte, em especial durante os eventos de 8 de janeiro de 2023. A decisão foi tomada por maioria dos ministros, com destaque para o voto do relator, Alexandre de Moraes, que já havia liberado a ação penal para julgamento em maio de 2026.
Reações políticas e acusações mútuas
Flávio Bolsonaro, em pronunciamento nas redes sociais, classificou a condenação como “perseguição política” e afirmou que o STF age de forma seletiva contra a oposição. “Essa decisão é mais um capítulo da judicialização da política no Brasil. Eduardo é inocente e será absolvido em instâncias superiores”, declarou o senador. A fala foi acompanhada por outros aliados do ex-presidente, que prometem recorrer da sentença.
Por outro lado, lideranças petistas, como o presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, e o deputado Lindbergh Farias, reagiram com duras críticas. Em nota oficial, o partido afirmou que a condenação de Eduardo Bolsonaro “expõe a participação ativa da família Bolsonaro em tentativas de golpe de Estado” e que “a traição à pátria não pode ser tolerada”. A acusação de traição à pátria, prevista no Código Penal Militar, foi evocada por petistas como base para possíveis novas ações judiciais contra Jair Bolsonaro e seus filhos.
Panorama político e impactos
O embate ocorre em meio a um cenário político já tenso, marcado por outras decisões do STF contra aliados de Bolsonaro. Em fevereiro de 2026, o STF autorizou visita familiar a Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar, após condenação por tentativa de golpe. A cinebiografia do ex-presidente, lançada em maio, também se tornou epicentro de crise política, com o Financial Times apontando riscos ao futuro político de Flávio Bolsonaro. Além disso, o governo Lula criticou articulações de Bolsonaro nos EUA, alertando para riscos ao sistema PIX com a classificação de facções criminosas como terroristas.
A condenação de Eduardo Bolsonaro reforça a percepção de que o STF atua como árbitro central na crise política brasileira, enquanto o Congresso Nacional debate projetos de anistia para envolvidos nos atos golpistas. A decisão também impacta as eleições de 2026, com a inelegibilidade de Eduardo Bolsonaro reduzindo a base de apoio do ex-presidente. Para analistas, o caso aprofunda a polarização e pode influenciar o julgamento de outras ações penais contra aliados de Bolsonaro, como a que envolve o ex-presidente por tentativa de golpe.
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