Operação policial bloqueia R$ 16,5 milhões de facção criminosa que atuava com tráfico e armas na Bahia

Uma operação policial deflagrada nesta quinta-feira, 26 de junho, bloqueou R$ 16,5 milhões de uma facção criminosa suspeita de atuar com tráfico de drogas e armas na Bahia. Ao todo, as equipes policiais cumprem 24 mandados judiciais expedidos pela Vara Criminal de Gandu, sendo 11 de prisão e 13 de busca e apreensão. A ação, que mobiliza forças de segurança estaduais e federais, representa um duro golpe nas finanças do crime organizado no interior baiano.

Os mandados estão sendo executados em cidades da região sul e baixo sul do estado, com destaque para Gandu, Itabuna e Ilhéus. A investigação, conduzida pelo Ministério Público da Bahia em parceria com a Polícia Civil, apontou que a facção utilizava empresas de fachada e laranjas para lavar o dinheiro obtido com o tráfico e a venda ilegal de armas. O montante bloqueado inclui contas bancárias, imóveis, veículos de luxo e outros ativos.

Panorama político e social

A operação ocorre em um contexto de escalada da violência no estado, que registrou aumento de 12% nos homicídios no primeiro semestre de 2026, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A facção alvo da ação é apontada como uma das principais responsáveis pelo controle de rotas de drogas que ligam o interior baiano ao litoral e a outros estados do Nordeste. O bloqueio de R$ 16,5 milhões representa um recorde para operações do tipo na região, superando ações anteriores que haviam sequestrado cerca de R$ 10 milhões.

O governador da Bahia, em nota oficial, classificou a operação como “um passo importante no combate ao crime organizado”, mas especialistas ouvidos pela reportagem alertam que o bloqueio de ativos, embora essencial, precisa ser acompanhado de políticas de prevenção e inclusão social para evitar o recrutamento de novos membros pelas facções. A Secretaria de Segurança Pública da Bahia informou que as investigações continuam e que novos mandados podem ser expedidos nas próximas semanas.

A operação também levanta debates sobre a eficácia do sistema de justiça criminal no estado. Dados do Conselho Nacional de Justiça indicam que a taxa de recuperação de ativos de facções criminosas na Bahia é de apenas 15%, bem abaixo da média nacional de 30%. A ação de hoje, no entanto, sinaliza um esforço concentrado das autoridades para reverter esse quadro, com o uso de ferramentas de inteligência financeira e cooperação entre órgãos.

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