O policial civil Gildate Goes Moraes Sobrinho, de 61 anos, foi indiciado por duplo homicídio qualificado pela morte dos colegas de corporação Yago Gomes Pereira, de 33 anos, e Denivaldo Jardel Lira Moraes, de 47 anos. O inquérito foi concluído nesta quarta-feira (17) e aponta que os disparos ocorreram dentro da viatura policial, durante o retorno de uma diligência na madrugada de 20 de maio, em Delmiro Gouveia, no Sertão de Alagoas. A corporação concluiu que o episódio ocorreu de forma repentina, sem evidências de premeditação, e a quebra de sigilo telefônico e telemático do indiciado não identificou indícios de planejamento prévio do crime.
Segundo as investigações conduzidas por uma comissão formada pelos delegados Sidney Walston Tenório de Araújo, Flávio Dutra de Melo e Leandro Martins da Silva, a dinâmica dos assassinatos foi detalhada com base em perícias balísticas e exames no local. Gildate efetuou um disparo na nuca de Denivaldo ao se aproximar do local onde os colegas estavam; Yago tentou se defender utilizando as mãos, mas foi atingido por um tiro na região da têmpora. Os dois policiais morreram ainda dentro da viatura.
Gildate foi preso horas depois do duplo homicídio, em casa, apresentando falas desconexas no momento da prisão. Os delegados responsáveis pelo caso solicitaram à Justiça a prorrogação da prisão preventiva dele. Com a conclusão do inquérito, o caso foi encaminhado ao Ministério Público de Alagoas (MP-AL) e ao Poder Judiciário, que darão continuidade ao processo penal.
O caso ganhou repercussão nacional e reacendeu o debate sobre a segurança e a saúde mental dos agentes de segurança pública. A Corregedoria da Polícia Civil de Alagoas avalia a expulsão do agente, conforme apurado pelo portal República do Povo. A defesa de Gildate ainda não se manifestou publicamente. O g1 tenta contato com a defesa do policial suspeito do crime.
O episódio ocorre em um contexto de crescente violência e tensão nas corporações policiais do Nordeste, onde registros de homicídios entre colegas de farda têm gerado preocupação. Em Alagoas, a Polícia Civil enfrenta desafios estruturais e de efetivo, e o caso expõe fragilidades nos protocolos de acompanhamento psicológico e de conduta dos agentes. A sociedade cobra respostas rápidas e transparência nas investigações, enquanto o MP-AL e o Judiciário se preparam para dar andamento ao processo penal.
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