A Polícia Civil de Alagoas prendeu em flagrante, nessa terça-feira (16), um homem de 45 anos pelo crime de descumprimento de medida protetiva de urgência, em Santana do Ipanema, no Sertão alagoano. A prisão foi realizada por meio da 2ª Delegacia Regional de Polícia de Santana do Ipanema, coordenada pela delegada Daniella Andrade. O suspeito, que já esteve preso anteriormente, foi capturado após denúncia de que teria violado as restrições impostas pela Justiça para proteger a vítima, em mais um episódio que escancara as dificuldades do sistema de proteção a mulheres em situação de violência doméstica e familiar no estado.
De acordo com a delegada Daniella Andrade, a ação foi desencadeada após a vítima comunicar à polícia que o agressor estava descumprindo a medida protetiva, que incluía a proibição de aproximação e contato. “Recebemos a denúncia e imediatamente montamos uma operação para localizar o suspeito. Ele foi encontrado e preso em flagrante, reafirmando o compromisso da Polícia Civil em coibir esse tipo de crime”, afirmou a delegada. O homem foi encaminhado ao sistema prisional e está à disposição da Justiça.
Panorama da violência doméstica e falhas na proteção
O caso de Santana do Ipanema não é isolado e reflete um problema estrutural na segurança pública alagoana. O descumprimento de medidas protetivas é um dos principais desafios no combate à violência doméstica, pois muitas vezes os agressores ignoram as restrições judiciais, colocando em risco a vida das vítimas. Dados da Secretaria de Segurança Pública de Alagoas indicam que, em 2024, mais de 30% das denúncias de violência doméstica envolvem o descumprimento de medidas protetivas, o que evidencia a necessidade de um monitoramento mais efetivo e de políticas públicas integradas.
Especialistas apontam que a falta de recursos humanos e tecnológicos para o acompanhamento dos casos, aliada à morosidade do sistema judiciário, contribui para a impunidade. “A prisão em flagrante é um passo importante, mas não resolve o problema de fundo. É preciso que haja um sistema de vigilância eletrônica, como tornozeleiras, e um trabalho contínuo de conscientização e apoio às vítimas”, avalia a socióloga Maria do Carmo Santos, pesquisadora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal).
Atuação da Polícia Civil e desafios regionais
A 2ª Delegacia Regional de Polícia de Santana do Ipanema, sob o comando da delegada Daniella Andrade, tem intensificado as operações de combate ao descumprimento de medidas protetivas, mas enfrenta limitações logísticas e de pessoal. A região do Sertão alagoano, marcada por altos índices de violência doméstica, carece de delegacias especializadas e de equipes multidisciplinares para atender as vítimas de forma integral. “Estamos fazendo o possível com os recursos que temos, mas a demanda é grande. Cada prisão é uma vitória, mas sabemos que muitas vítimas ainda estão desprotegidas”, reconheceu a delegada.
O caso também levanta questionamentos sobre a eficácia das medidas protetivas como instrumento de prevenção. Para a advogada Ana Paula Silva, especialista em direito de família, a lei é clara, mas a aplicação prática é falha. “A medida protetiva é uma ferramenta importante, mas sem fiscalização e sem uma rede de apoio que inclua abrigos, assistência psicológica e social, ela se torna apenas um papel. O descumprimento é a prova de que o sistema precisa ser repensado”, argumenta.
Impacto social e necessidade de políticas públicas
A prisão em Santana do Ipanema ocorre em um contexto de aumento das denúncias de violência doméstica em Alagoas, impulsionado por campanhas de conscientização e pela ampliação dos canais de denúncia, como o Ligue 180. No entanto, o número de casos de descumprimento de medidas protetivas continua alto, indicando que a proteção às vítimas ainda é insuficiente. Organizações da sociedade civil, como o Instituto Maria da Penha, têm cobrado do governo estadual a implementação de um programa de monitoramento eletrônico para agressores e a criação de mais varas especializadas em violência doméstica.
Enquanto isso, a Polícia Civil segue com as investigações para apurar se o suspeito de 45 anos tem outros antecedentes criminais relacionados à violência contra a mulher. O caso serve como alerta para a urgência de se fortalecer a rede de proteção e garantir que as medidas judiciais não sejam apenas letra morta, mas sim instrumentos eficazes de defesa das vítimas.
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