O Governo de Alagoas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal), contemplou 127 pesquisadores com o Prêmio de Excelência Acadêmica, em cerimônia realizada nesta quinta-feira (15) no auditório da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), em Maceió. A premiação, que totalizou R$ 1,27 milhão, reconhece o mérito científico de profissionais de diversas áreas do conhecimento, como saúde, engenharia, ciências agrárias e humanidades, e integra um pacote de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da ciência e da inovação no estado.
A iniciativa, anunciada pelo governador Paulo Dantas (MDB) e pelo secretário de Estado da Ciência, da Tecnologia e da Inovação, Silvio Bulhões, distribuiu prêmios que variam de R$ 5 mil a R$ 20 mil por pesquisador, conforme a categoria e o impacto do trabalho. Entre os agraciados, estão docentes, pós-graduandos e pesquisadores vinculados a instituições como a Ufal, o Instituto Federal de Alagoas (Ifal) e a Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal).
Impacto na pesquisa e no desenvolvimento regional
O prêmio, que ocorre pela primeira vez em 2025, visa estimular a produção científica e reter talentos no estado, historicamente com índices de investimento em pesquisa abaixo da média nacional. Segundo dados da Fapeal, Alagoas possui cerca de 1.200 pesquisadores ativos, e a premiação abrangeu 10% desse total, com foco em projetos que geram impacto social e econômico. Exemplos incluem estudos sobre a seca no semiárido, tecnologias para a agricultura familiar e inovações na saúde pública, como o desenvolvimento de vacinas e tratamentos para doenças endêmicas.
A cerimônia contou com a presença de representantes de universidades, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Associação dos Pesquisadores de Alagoas. O presidente da Fapeal, Fábio Guedes, destacou que o prêmio é um marco para a ciência local: “Estamos reconhecendo o esforço de quem produz conhecimento em condições muitas vezes adversas. Esse investimento é fundamental para que Alagoas avance em inovação e competitividade.”
Panorama político e desafios da ciência no Brasil
A premiação ocorre em um contexto de retomada dos investimentos federais em ciência e tecnologia, após cortes significativos nos anos anteriores. O governo federal, sob a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou em 2024 a recomposição do orçamento do CNPq e da Capes, mas estados como Alagoas ainda enfrentam desafios para equiparar seus aportes aos de regiões mais desenvolvidas, como São Paulo e Minas Gerais. A iniciativa alagoana, no entanto, sinaliza um esforço descentralizado para fortalecer a pesquisa, alinhando-se a políticas estaduais como o Programa de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic) e o edital de Apoio a Núcleos de Excelência.
Especialistas apontam que o prêmio pode servir de modelo para outros estados do Nordeste, que buscam reduzir as desigualdades regionais na produção científica. A Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) elogiou a medida, mas alertou para a necessidade de continuidade: “Prêmios pontuais são importantes, mas o desafio é garantir financiamento estável para que os pesquisadores possam se dedicar integralmente à ciência”, afirmou a presidente da ANPG, Flávia Calé.
Os 127 pesquisadores premiados receberão os valores em parcela única, depositados diretamente em suas contas, e terão seus trabalhos divulgados em um catálogo digital organizado pela Fapeal. A expectativa do governo é que a iniciativa se torne anual, com edições futuras ampliando o número de contemplados e o valor total dos prêmios.
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