Investigação da PF sobre Ciro Nogueira e Banco Master cita deputado Isnaldo Bulhões e outros 10 políticos em rede de influência

A investigação da Polícia Federal que mira o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, ganhou novos desdobramentos com a citação do deputado federal alagoano Isnaldo Bulhões (MDB-AL) e de outros dez políticos. Segundo documentos obtidos pelo portal Republica do Povo, o nome de Bulhões, aliado do senador Renan Filho (MDB-AL), aparece em conversas de Vorcaro como participante de um almoço com Ciro Nogueira em Nova Iorque, nos Estados Unidos. O caso, que já havia exposto viagens em jatos particulares e hospedagens em hotéis de luxo em Lisboa, agora revela uma rede mais ampla de influência entre agentes públicos e o setor financeiro, com potencial impacto nas investigações em curso.

As menções a Isnaldo Bulhões e a outros parlamentares ocorrem no âmbito da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal para apurar supostos pagamentos ilícitos, lavagem de dinheiro e tráfico de influência. De acordo com os autos, Vorcaro teria bancado despesas de viagens e hospedagens para políticos em troca de favores legislativos e acesso a decisões do governo federal. O almoço em Nova Iorque, ocorrido em 2023, teria sido um dos encontros para discutir negócios e articulações políticas, segundo mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro.

Rede de influência entre políticos e banqueiros

A investigação da PF já havia revelado que Daniel Vorcaro exigiu privacidade absoluta em uma viagem a Lisboa com Ciro Nogueira e o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), utilizando um jato particular. A hospedagem em um hotel de luxo na capital portuguesa, com diárias de até R$ 100 mil, também foi citada como parte do esquema. Agora, a inclusão de Isnaldo Bulhões e de outros dez políticos — entre deputados federais, senadores e ex-ministros — amplia o escopo da apuração, sugerindo que a rede de influência de Vorcaro se estendia a diferentes partidos e regiões do país.

O nome de Bulhões, que é vice-líder do governo na Câmara e próximo a Renan Filho, surge em um contexto de negociações envolvendo emendas parlamentares e liberação de recursos do Orçamento. Embora o deputado não seja formalmente investigado, sua citação no processo levanta questionamentos sobre a extensão dos contatos de Vorcaro com o mundo político. A PF agora busca esclarecer se o almoço em Nova Iorque teve relação com pagamentos ou vantagens indevidas, e se outros encontros similares ocorreram.

Panorama político e impactos

O caso ocorre em um momento de forte tensão entre os Poderes, com o Congresso Nacional sob pressão para aprovar pautas econômicas do governo Lula. A revelação de que políticos de diferentes espectros partidários — do PP ao MDB — mantinham relações próximas com Vorcaro pode abalar a confiança no sistema político e reforçar a percepção de promiscuidade entre o setor privado e o público. Para a oposição, a investigação é uma oportunidade de atacar o governo, enquanto a base aliada tenta minimizar os danos, destacando que as menções não implicam necessariamente em crimes.

Até o momento, Isnaldo Bulhões não se manifestou publicamente sobre o caso. Já Ciro Nogueira, que já foi alvo de buscas e apreensões, nega qualquer irregularidade e afirma que as acusações são infundadas. A Polícia Federal continua a analisar o material apreendido, incluindo mensagens e registros financeiros, para determinar se houve efetivamente pagamentos ilegais ou tráfico de influência. A expectativa é que novos nomes possam surgir nos próximos meses, à medida que a investigação avança.

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