Portugal e Espanha na rota da Copa de 2030: quem alerta a população sobre os custos e impactos?

Os portugueses e espanhóis estão prestes a embarcar em uma jornada que já deixou marcas profundas em outros países: a coorganização da Copa do Mundo de 2030. Enquanto a euforia inicial toma conta, especialistas e cidadãos começam a questionar: quem está alertando a população sobre os verdadeiros custos e impactos desse megaevento? A memória recente de Brasil, Catar e África do Sul serve como um alerta poderoso.

Em 2013 e 2014, milhões de brasileiros foram às ruas exigindo ‘hospitais padrão Fifa‘, em protestos que ecoaram globalmente. Mais de uma década antes do pontapé inicial, o Catar já era obrigado a se defender de acusações de corrupção e violação dos direitos humanos, com trabalhadores imigrantes submetidos a condições desumanas. Já a África do Sul apresentou a Copa como um projeto nacional de desenvolvimento, mas os legados prometidos – como infraestrutura e empregos – ficaram aquém do esperado.

O que esperar da Copa de 2030?

A candidatura conjunta de Portugal e Espanha (com possível inclusão de Marrocos) foi aprovada pela Fifa em 2024, mas os preparativos já geram controvérsias. Estima-se que os custos totais ultrapassem os 10 bilhões de euros, com investimentos em estádios, transportes e segurança. No entanto, a transparência sobre a origem desses recursos e os impactos sociais ainda é limitada.

Organizações da sociedade civil em ambos os países têm alertado para o risco de desvio de verbas públicas, aumento da dívida e gentrificação de áreas urbanas. Em Lisboa e Madri, movimentos populares já começam a se articular, lembrando que, no Brasil, os protestos de 2013 foram um divisor de águas na política nacional.

Panorama político e econômico

O contexto atual é de crise inflacionária e descontentamento social em grande parte da Europa. Em Portugal, o governo de António Costa enfrenta pressão por políticas habitacionais e de saúde. Na Espanha, a coalizão de Pedro Sánchez lida com tensões separatistas e escândalos de corrupção. A Copa de 2030 pode ser vista como uma oportunidade de impulsionar a economia, mas também como um fardo adicional para os contribuintes.

Especialistas em direito esportivo, como Rodrigo Tavares, da Folha de S.Paulo, destacam que a Fifa historicamente impõe cláusulas que limitam a soberania dos países anfitriões, como isenções fiscais e restrições a protestos. ‘Os portugueses precisam saber que, ao aceitar a Copa, estão abrindo mão de parte do controle sobre suas leis e orçamento’, alerta.

Diante desse cenário, a pergunta que fica é: quem está informando a população sobre os riscos e responsabilidades de sediar um evento desse porte? Enquanto os governos celebram a escolha, a sociedade civil tenta se organizar para garantir que os legados sejam reais e não apenas promessas de palco.

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