Nova fase da Operação Compliance Zero atinge Banco Master, senador e banqueiro em esquema bilionário

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (18) a 9ª fase da Operação Compliance Zero, cumprindo 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. A ação mira um esquema bilionário que envolve o Banco Master, o senador Jaques Wagner (PT-BA) – líder do governo Lula no Senado – e o banqueiro Augusto Lima, gestor ligado à instituição financeira. As investigações apuram crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, com indícios de que vantagens econômicas indevidas foram repassadas a agentes públicos em troca de atuação parlamentar favorável a interesses do banco.

De acordo com os documentos judiciais obtidos pela reportagem, os alvos da operação dividem-se entre agentes públicos, gestores bancários, operadores financeiros e empresas interpostas. Jaques Wagner é apontado pela PF como o beneficiário central das vantagens indevidas, que incluiriam o uso de aeronaves privadas, ingressos para shows internacionais e a aquisição oculta de um apartamento de luxo no empreendimento Poème Horto, em Salvador. Além disso, há registros de pagamentos a empresas de seu núcleo familiar. Em contrapartida, o senador teria atuado parlamentarmente em temas de interesse do Banco Master, como emendas sobre crédito consignado e o Fundo Garantidor de Créditos.

O papel de Augusto Lima e do núcleo familiar

Augusto Ferreira Lima, gestor ligado ao Banco Master, é descrito como a figura central na entrega das vantagens, coordenando desde o uso de jatos particulares até a operacionalização financeira para a compra do imóvel indicado pelo senador e os repasses para a BN Financeira Ltda. O enteado de Jaques Wagner, Eduardo Mendonça Sodré Martins, gestor da BN Financeira, teria exercido papel ativo na cobrança de pagamentos junto a Augusto Lima, sendo associado a planilhas de repasses que totalizam mais de R$ 2,3 milhões sob o apelido “Dudu”.

Outros integrantes do núcleo familiar também foram alvos da operação. Bonnie Toaldo Bonilha, cônjuge de Eduardo Sodré, está vinculada à estrutura societária da BN Financeira, enquanto Patrich Toaldo Bonilha aparece ligado à BN Representações Tecnológicas Ltda. Guilherme Henrique Sodré Martins (“Tio Guiga”), pai de Eduardo Sodré e pessoa de confiança de Jaques Wagner, atuaria como articulador entre o Banco Master, o gabinete do senador e o núcleo familiar, inclusive em tratativas sobre o imóvel Poème Horto após o início das investigações.

Operadores financeiros e empresas interpostas

A investigação também mirou operadores financeiros e empresas suspeitas de atuarem como laranjas. Valério Marega Júnior (“Valério Fundos”), operador financeiro ligado a estruturas de fundos do Banco Master, foi acionado por Augusto Lima para operacionalizar a compra do apartamento no Poème Horto. David Lopes Monteiro, operador vinculado ao núcleo empresarial e jurídico, foi alvo de busca e restrições pessoais. Já Luiz Antonio Lombardi, diretor da Epítome S.A., empresa que adquiriu formalmente o imóvel em Salvador, é suspeito de atuar como pessoa interposta para ocultar o real beneficiário da compra, dada a incompatibilidade de seu histórico laboral com a gestão de grandes capitais. Andréa Lima Novaes, diretora da PKL One Participações S.A., também foi alvo da operação.

A 9ª fase da Operação Compliance Zero representa um desdobramento significativo nas investigações sobre o Banco Master e suas conexões políticas. As fases anteriores já haviam mirado o Banco Pleno e o senador Jaques Wagner, mas esta nova etapa aprofunda o cerco ao núcleo familiar e aos operadores financeiros. O esquema, que envolve valores bilionários, expõe a complexa rede de relações entre o setor bancário, agentes públicos e empresas de fachada, levantando questões sobre a regulação do crédito consignado e a atuação do Fundo Garantidor de Créditos. A PF segue analisando o material apreendido para identificar outros possíveis envolvidos e dimensionar o total de recursos desviados.

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