A Polícia Civil de Alagoas (PCAL) deflagrou nas primeiras horas da manhã desta quinta-feira (18) a fase 5 da Operação Cerco Fechado, uma ação de grande escala que tem como objetivo desarticular organizações criminosas que atuam na prática de diversas modalidades de crimes no estado. Até o momento, 12 suspeitos foram presos, sendo seis localizados em Maceió e os demais em cidades do interior, conforme balanço parcial divulgado pela corporação. A operação mobilizou centenas de agentes e cumpriu mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão em múltiplas regiões, incluindo bairros da capital e municípios da zona da mata, agreste e sertão.
A ação integrada, coordenada pela Diretoria de Polícia Judiciária da PCAL, contou com apoio de unidades especializadas, como o Grupo de Operações Policiais Especiais (GOPE) e a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRACO). As investigações, que duraram cerca de seis meses, apontaram que as organizações criminosas alvo da operação atuavam em crimes como tráfico de drogas, roubo a bancos, homicídios, extorsão e lavagem de dinheiro, com ramificações em pelo menos cinco estados do Nordeste. De acordo com a PCAL, o esquema movimentou mais de R$ 15 milhões nos últimos dois anos, com valores provenientes principalmente do tráfico de entorpecentes e de assaltos a carros-fortes.
Panorama político e impacto social
A deflagração da 5ª fase da Operação Cerco Fechado ocorre em um contexto de pressão por resultados no combate ao crime organizado em Alagoas, estado que registrou aumento de 12% nos índices de violência letal no primeiro semestre de 2026, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A operação é vista como uma resposta do governo estadual, sob a gestão do Governador Paulo Dantas (MDB), às críticas da oposição e de entidades de direitos humanos sobre a eficácia das políticas de segurança pública. O Secretário de Segurança Pública, Flávio Saraiva, destacou em coletiva que a operação “representa um duro golpe nas finanças do crime organizado” e que novas fases estão previstas para os próximos meses, com foco em desarticular células criminosas que atuam em áreas de fronteira com Pernambuco e Sergipe.
Especialistas em segurança pública consultados pelo República do Povo avaliam que a operação, embora relevante, precisa ser acompanhada de políticas de prevenção e inclusão social para evitar o rearranjo das organizações criminosas. “A prisão de lideranças é importante, mas sem investimento em inteligência e em programas sociais nas periferias, o vácuo de poder é rapidamente preenchido por novos grupos”, alerta o sociólogo Carlos Mendes, da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). A operação também gerou reações no legislativo: o Deputado Estadual Rodrigo Cunha (PSDB) protocolou requerimento solicitando detalhes sobre os custos da operação e o número de agentes envolvidos, enquanto a Deputada Jó Pereira (PT) cobrou transparência sobre possíveis violações de direitos durante as abordagens.
Detalhes da operação e próximos passos
Além das 12 prisões, a PCAL cumpriu 23 mandados de busca e apreensão em endereços residenciais e comerciais, resultando na apreensão de 11 veículos, R$ 340 mil em espécie, 15 quilos de drogas (entre cocaína e maconha), quatro armas de fogo de calibre restrito e documentos que podem comprovar o esquema de lavagem de dinheiro. Os presos foram encaminhados para o Sistema Prisional de Alagoas, onde aguardarão audiência de custódia. A operação contou ainda com o apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da Polícia Militar de Alagoas, que realizaram barreiras em pontos estratégicos das rodovias estaduais para evitar a fuga de suspeitos.
A PCAL informou que as investigações continuam e que novas fases da Operação Cerco Fechado devem ser deflagradas nas próximas semanas, com foco em desarticular núcleos financeiros e logísticos das organizações. O Delegado-Geral, Gustavo Xavier, afirmou que “a operação de hoje é apenas o começo de um esforço contínuo para devolver a tranquilidade à população alagoana”. A população pode contribuir com denúncias anônimas por meio do Disque-Denúncia 181, que já recebeu mais de 200 ligações relacionadas à operação desde o início das investigações.
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