A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (26) a Operação Infesto, cumprindo mandados de busca e apreensão nos estados de Pernambuco e Paraíba contra um grupo investigado por suposto esquema de corrupção que teria movimentado cerca de R$ 3,8 milhões em contratos públicos entre os anos de 2020 e 2024. A ação, coordenada pela Superintendência Regional da PF em Pernambuco, mira fraudes em licitações e superfaturamento de serviços prestados a prefeituras e órgãos estaduais.
De acordo com as investigações, o grupo atuava de forma estruturada, com divisão de tarefas entre empresários, servidores públicos e intermediários, para direcionar licitações e obter vantagens indevidas. Os contratos sob suspeita envolvem áreas como saúde, educação e infraestrutura, com indícios de que os valores pagos eram inflados em relação aos preços de mercado. A PF estima que o prejuízo aos cofres públicos ultrapasse os R$ 3,8 milhões, mas o montante pode ser maior conforme o avanço das apurações.
Panorama político e impacto regional
A operação ocorre em um contexto de crescente atenção das forças de segurança ao combate à corrupção no Nordeste, onde esquemas semelhantes têm sido alvo de investigações recentes. Em Alagoas, por exemplo, a Polícia Civil deflagrou a 5ª fase da Operação Cerco Fechado, que prendeu 12 suspeitos e cumpriu 51 mandados contra o crime organizado, conforme noticiado pelo Republica do Povo. Já no Rio de Janeiro, uma operação policial mirou o deputado estadual Val Ceasa por suposta ligação com facção criminosa, enquanto a Operação Compliance Zero atingiu o Banco Pleno e o senador Jaques Wagner em esquema bilionário.
Os mandados cumpridos nesta quarta-feira em Pernambuco e Paraíba incluem endereços residenciais e comerciais de suspeitos, além de órgãos públicos onde os contratos foram firmados. A PF não divulgou os nomes dos investigados, mas confirmou que há indícios de participação de agentes públicos e empresários. O material apreendido, incluindo documentos, computadores e celulares, será analisado para aprofundar as investigações.
A Operação Infesto representa mais um capítulo na luta contra a corrupção no Brasil, que, segundo especialistas, exige ações coordenadas entre os poderes e a sociedade civil. O caso reforça a necessidade de transparência e controle social sobre os gastos públicos, especialmente em regiões onde a escassez de recursos agrava o impacto de desvios. A PF informou que as investigações continuam e que novas fases da operação não estão descartadas.
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