O gestor do Banco Master, Augusto Ferreira Lima, afirmou ao senador Jaques Wagner (PT-BA) que o petista fazia “parte” do processo de venda do Master ao BRB, o Banco de Brasília, conforme mensagem captada pelos investigadores da Operação Compliance Zero. “Você mais do que ninguém sabe de minha história e faz parte disso!!”, disse Augusto a Jaques, em diálogo registrado no âmbito da 9ª fase da operação, deflagrada nesta quinta-feira (18). A ação tem como alvo o senador, Augusto Lima e outros investigados, incluindo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso.

A decisão judicial do Supremo Tribunal Federal (STF), de autoria do ministro relator André Mendonça, que embasou a operação, descreve Augusto Ferreira Lima como o principal interlocutor privado de Jaques Wagner. Segundo o documento, Augusto seria a figura central na entrega de vantagens, coordenando desde o uso de jatos até a operacionalização financeira para a compra de um imóvel indicado pelo senador e os repasses para a BN Financeira. O ministro destaca que a mensagem de 29 de março de 2025 indica que Jaques não seria mero destinatário passivo de informações, mas interlocutor relevante em temas sensíveis ao grupo econômico.

Impacto Financeiro e Riscos ao Erário

De acordo com balanço da gestão atual do BRB, R$ 30 bilhões foram transacionados com o Master entre 2024 e outubro de 2025. Desse valor, R$ 12,12 bilhões foram alvo de apuração da operação Compliance Zero. Pelo menos R$ 8,8 bilhões eram títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação – na prática, “crédito podre” que pode se transformar em um rombo no patrimônio do banco. O presidente do BRB à época dos negócios, Paulo Henrique Costa, está preso. Segundo as investigações, Augusto Lima atuou para que o BRB comprasse as carteiras do Banco Master.

Atuação Parlamentar Sob Suspeita

A decisão judicial que autorizou cumprimento de mandados contra Jaques Wagner traz relatos da Polícia Federal que indicam como o senador teria atuado em favor do Banco Master. De acordo com o documento, haveria indícios de atuação parlamentar em temas relacionados à matéria de crédito consignado, em relação ao limite de cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) e na tentativa de fiscalização e controle da compra do Master pelo BRB. A ação teria sido em prol também da chamada “Emenda Master”. A PF identificou que a atuação do senador pode ter facilitado a operação que resultou em prejuízos bilionários ao erário.

O caso reacende o debate sobre a relação entre o sistema financeiro e o poder político no Brasil, especialmente em operações que envolvem bancos públicos e privados. A Operação Compliance Zero, que já está em sua nona fase, investiga um esquema de fraudes e lavagem de dinheiro que teria beneficiado um grupo econômico com conexões políticas. O STF, em decisões recentes, tem reafirmado a soberania brasileira e contestado relatórios internacionais sobre liberdade de expressão, mas o foco agora recai sobre a transparência e a legalidade nas transações financeiras que envolvem agentes públicos.

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