Operação Compliance Zero atinge instituto presidido por ex-ministra de Bolsonaro em nova fase do Caso Master

A 9ª fase da Operação Compliance Zero, autorizada nesta quinta-feira (18) pelo Supremo Tribunal Federal (STF), atingiu o Instituto Terra Firme, presidido por Flávia Peres, ex-ministra da Secretaria de Governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A Polícia Federal (PF) cumpriu mandados de busca e apreensão na sede da instituição, localizada em Salvador, Bahia. A ação integra o conjunto de investigações do chamado Caso Master, que apura supostas irregularidades financeiras e desvios de recursos públicos.

De acordo com a decisão do ministro André Mendonça, do STF, as buscas foram motivadas por indícios de que o instituto teria recebido recursos oriundos de esquemas fraudulentos investigados no âmbito da operação. A PF não detalhou o conteúdo apreendido, mas informou que os materiais serão analisados para subsidiar as investigações em curso. A Operação Compliance Zero, deflagrada inicialmente em 2023, já teve fases anteriores que miraram empresas de fachada, laranjas e movimentações suspeitas de valores milionários.

Panorama político e desdobramentos

O caso ganha contornos políticos por envolver uma ex-integrante de alto escalão do governo Bolsonaro. Flávia Peres, que comandou a Secretaria de Governo entre 2020 e 2022, tornou-se alvo de investigações após a PF identificar vínculos entre o Instituto Terra Firme e pessoas físicas e jurídicas suspeitas de participar de um esquema de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. A ex-ministra, por meio de sua assessoria, negou qualquer irregularidade e afirmou que o instituto sempre atuou dentro da legalidade, prestando serviços sociais na região metropolitana de Salvador.

A operação ocorre em um momento de acirramento das disputas políticas no país, com o STF e a PF sendo frequentemente alvos de críticas por parte de aliados do ex-presidente. Enquanto isso, parlamentares da oposição cobram celeridade nas investigações e transparência nos atos processuais. O Caso Master, que dá nome à operação, refere-se a um suposto esquema de fraudes em contratos públicos e desvio de verbas federais, com ramificações em pelo menos cinco estados brasileiros.

A PF estima que o montante desviado possa ultrapassar R$ 200 milhões, valor que ainda será confirmado ao longo das apurações. A 9ª fase da Compliance Zero representa mais um passo no esforço de desarticular redes criminosas que, segundo os investigadores, utilizavam institutos e ONGs como fachada para movimentar recursos ilícitos. O caso segue sob sigilo judicial, mas novas fases não estão descartadas.

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