O deputado Rogerio Correia (PT-MG), vice-líder do governo na Câmara, defendeu nesta quinta-feira (18) o afastamento de Jaques Wagner (PT-BA) do cargo de líder do governo no Senado, após o senador ser alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. As investigações apontam que Wagner teria recebido vantagens indevidas, como um apartamento em Salvador e R$ 3,5 milhões, em troca de atuação política no Congresso. A operação também apreendeu 49 mil dólares em espécie em endereço ligado ao parlamentar.
Para Rogerio Correia, a presunção de inocência de Jaques Wagner deve ser resguardada, mas, na condição de investigado, o senador deve deixar o cargo na liderança do governo para se dedicar à sua defesa. “Na condição de investigado, Jaques Wagner deve se afastar da liderança do governo para se dedicar a sua defesa, resguardada a presunção de inocência. A Polícia Federal está fazendo seu trabalho, e quem cometeu irregularidades deve responder por elas. Mas é preciso dizer com clareza: essas novas informações não mudam a gênese do escândalo do Banco Master, que é o BOLSOMASTER!”, declarou o vice-líder do governo na Câmara.
Wagner afirma que permanecerá no cargo
Apesar das declarações de Rogerio Correia e da articulação nos bastidores do Palácio do Planalto, Jaques Wagner afirmou, em entrevista à BandNews nesta quinta, que, se o presidente Lula não o retirar da função, permanecerá no cargo de líder do governo no Senado. “O presidente Lula ligou para se solidarizar comigo, dizer que mantém absoluta confiança, a gente se conhece há 48 anos. Portanto, ele sabe como é o meu modo de agir. Ele só ligou para dizer: ‘Fique firme, essa é uma tentativa de desestabilizar você, mas conte com a minha confiança’”, disse Jaques Wagner, acrescentando que acredita que Lula não vai tirá-lo da liderança do governo.
Jaques Wagner afirmou também que os dólares apreendidos pela Polícia Federal na 9ª fase da Operação Compliance Zero têm origem em diárias pagas pelo Senado em razão de viagens para o exterior que realizou como parlamentar. Na entrevista à BandNews, o petista também negou ter relação com Daniel Vorcaro e disse que não atuou em favor do Banco Master no Senado.
Panorama político
O episódio ocorre em meio a um cenário de tensão no governo Lula, que busca manter a coesão da base aliada no Congresso. A operação da Polícia Federal contra um dos principais líderes do PT no Senado levanta questionamentos sobre a atuação do partido e a relação com o setor financeiro, especialmente após o escândalo do Banco Master, que envolve suspeitas de tráfico de influência e lavagem de dinheiro. A defesa de Rogerio Correia pelo afastamento de Jaques Wagner reflete uma preocupação interna com a imagem do governo, enquanto a permanência do senador no cargo, com o apoio explícito de Lula, sinaliza a aposta do Planalto na manutenção da liderança e na confiança pessoal entre os petistas históricos.
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