O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou nesta quinta-feira (18), em entrevista ao Kritike Podcast, que “a lei tem que ser aplicada independentemente de torcida”, ao comentar a operação da Polícia Federal que teve como alvo o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado. A declaração ocorre em meio a um cenário político marcado por tensões entre os Poderes e debates sobre a imparcialidade das investigações.
A operação, deflagrada na última semana, gerou reações diversas no espectro político. Enquanto aliados do governo questionam os métodos e a oportunidade da ação, setores da oposição veem no episódio um sinal de que o sistema de Justiça age de forma independente. Haddad, ao ser questionado, evitou tecer críticas diretas à operação, mas reforçou a necessidade de que todos os cidadãos, independentemente de cargo ou partido, estejam sujeitos ao mesmo tratamento legal.
Panorama político e reações
A fala de Haddad ecoa um debate mais amplo sobre a atuação da Polícia Federal e do Judiciário em casos que envolvem figuras do alto escalão do governo. Nos últimos meses, operações contra aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva têm sido alvo de críticas por parte da base governista, que aponta suposto viés político. Por outro lado, juristas e integrantes da oposição defendem que as investigações sigam seu curso normal, sem interferências.
O senador Jaques Wagner, ex-governador da Bahia e um dos principais articuladores do governo no Congresso, tornou-se alvo da PF em uma investigação que, segundo fontes oficiais, apura possíveis irregularidades em contratos públicos. Até o momento, Wagner nega qualquer envolvimento ilícito e afirma confiar na Justiça. A operação gerou solidariedade de parte do PT, que em nota oficial manifestou “confiança na inocência” do senador.
Haddad, que disputará o governo paulista em 2026, busca equilibrar o discurso entre a defesa dos princípios legais e a lealdade ao partido. Sua posição, no entanto, pode gerar desconforto entre aliados que esperavam uma defesa mais enfática de Wagner. A declaração também reforça a imagem de Haddad como uma figura moderada dentro do PT, capaz de dialogar com setores mais amplos da sociedade.
O episódio ocorre em um momento de baixa popularidade do governo Lula e de intensificação das investigações sobre membros da administração federal. A operação contra Jaques Wagner é vista por analistas como um teste para a relação entre o Executivo e o sistema de Justiça, especialmente após as críticas do presidente a decisões judiciais consideradas “persecutórias”.
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