A 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (18), teve como principal alvo o senador Jaques Wagner (PT-BA), atual líder do governo no Senado. A investigação aponta que o parlamentar teria utilizado sua influência política no Congresso Nacional para beneficiar os interesses do Banco Master, recebendo em troca vantagens indevidas que incluem a aquisição de um apartamento de luxo em Salvador, avaliado em R$ 2,5 milhões, e repasses milionários para empresas de familiares, totalizando cerca de R$ 3,5 milhões. A operação também atingiu o banqueiro Augusto Lima, ex-dono do Banco Pleno e ex-gestor do Master, apontado como principal interlocutor do esquema.
A PF destaca que a conexão entre Jaques Wagner e Augusto Lima se consolidou a partir de 2018, quando o governo do Estado da Bahia, então sob gestão de Rui Costa (PT), privatizou uma empresa pública de supermercados e criou um cartão de crédito consignado para servidores estaduais. Essa operação foi posteriormente incorporada pelo Banco Master e replicada em outros estados, gerando alta lucratividade para a instituição financeira. As suspeitas incluem ainda o recebimento de cinco ingressos de camarote para um show de uma cantora internacional em Los Angeles, avaliados em R$ 63 mil, como parte das vantagens indevidas.
Impacto político e reações no Congresso
O caso atinge diretamente o núcleo do governo Lula, já que Jaques Wagner exerce a liderança do governo no Senado, cargo estratégico para a aprovação de pautas prioritárias. Aliados do Planalto e do PT avaliam que a permanência do senador na função pode comprometer a campanha de reeleição de Lula em 2026, conforme apurou o jornalista Gerson Camarotti. A pressão por explicações aumenta, e parte dos aliados defende que Wagner entregue o cargo para blindar o governo de desgastes adicionais. A oposição, por sua vez, já utiliza o episódio para questionar a seletividade das investigações e cobrar transparência sobre o financiamento de campanhas.
O papel do Banco Master e as conexões financeiras
O Banco Master, que já foi alvo de outras fases da Compliance Zero, tem ligações com o setor financeiro e com figuras políticas de diferentes espectros. Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro (cuja prisão foi mantida pelo STF em operação anterior), é apontado como peça-chave na articulação de esquemas que envolvem consignados e privatizações estaduais. A operação desta quinta-feira também reacende o debate sobre a atuação do Congresso em meio a impasses políticos, como o adiamento da análise de 70 vetos presidenciais e as fissuras na oposição expostas pelo escândalo do Banco Master.
O podcast O Assunto, do g1, dedicou o episódio #1743 ao caso, com entrevista do jornalista Reynaldo Turollo Jr., que acompanhou a operação da PF. Turollo detalhou as suspeitas sobre o senador petista e analisou o impacto da notícia dentro do governo Lula, destacando que a investigação pode se desdobrar em novas fases e atingir outros agentes públicos. A PF não descarta novas diligências para aprofundar as conexões entre o Banco Master e parlamentares de diferentes partidos.
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