O Ministério das Relações Exteriores divulgou, nesta quinta-feira (18), uma nota oficial na qual o governo brasileiro recebeu com “satisfação” o acordo firmado entre os governos dos Estados Unidos e do Irã, mas cobrou o cumprimento rigoroso dos termos e o fim imediato dos ataques entre os dois países. O conflito, que já dura cerca de quatro meses, teve início em 28 de fevereiro, quando o governo de Donald Trump, em uma ofensiva conjunta com Israel, atacou Teerã, resultando na morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, e provocando uma escalada sem precedentes na região.
A assinatura do acordo, denominado memorando de entendimento, ocorreu na França e prevê 14 pontos, entre os quais o fim do bloqueio a navios iranianos, a suspensão de sanções e o trânsito livre no estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% da produção mundial de petróleo. O fechamento do estreito pelo Irã, durante o conflito, gerou efeitos econômicos globais, com aumento significativo do preço do barril de petróleo.
Posição do Brasil e apelo à diplomacia
“O governo brasileiro recebe com satisfação a assinatura de Memorando de Entendimento entre os Estados Unidos e o Irã, que prevê o fim do conflito iniciado em 28/2 no Oriente Médio”, diz um trecho do comunicado do Itamaraty. A nota ainda exorta as partes a “aderirem estritamente aos termos acordados” e apela, “em especial, à completa cessação das hostilidades em todas as frentes, incluindo no Líbano, assim como à manutenção do engajamento em negociações de boa-fé e no fortalecimento da confiança mútua, a fim de assegurar a finalização de acordo de paz abrangente”. O governo brasileiro defendeu que a “única via” para o entendimento entre os países é a negociação diplomática.
Ao longo dos últimos meses, representantes dos EUA e do Irã realizaram diversas reuniões para negociar um acordo, mas várias delas foram marcadas pela falta de entendimento e por ameaças mútuas. O Brasil já havia se manifestado anteriormente: em fevereiro, o Ministério das Relações Exteriores condenou o ataque americano no Irã, manifestando “grave preocupação” e alertando que a medida coordenada entre americanos e israelenses ocorreu justamente num momento de negociação, o que poderia prejudicar um eventual acordo. Na ocasião, o governo brasileiro pediu que as partes evitassem a “escalada das hostilidades” e assegurassem a proteção de civis e da infraestrutura civil.
O acordo de paz, embora celebrado, ainda enfrenta desafios. O ex-presidente Donald Trump já declarou que os EUA não pagarão os US$ 300 bilhões previstos para a reconstrução do Irã, valor que consta no memorando. Enquanto isso, o Irã anunciou suas exigências no documento, e a comunidade internacional aguarda os próximos passos para garantir que a guerra, de fato, chegue ao fim.
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