Renegociação do agro é ‘duplo castigo’ para bancos, alerta presidente do comitê de riscos da Caixa

O projeto de renegociação das dívidas do agronegócio aprovado pelo Senado pode impor um ‘duplo castigo’ ao sistema financeiro nacional, na avaliação de Francisco Petros, presidente do Comitê Independente de Riscos e Capital da Caixa Econômica Federal. A declaração foi feita em meio a um cenário de tensão política, onde a medida, aprovada sem acordo com o governo, expõe divergências entre os Poderes e o setor produtivo.

O projeto, que autoriza a renegociação de dívidas rurais, foi aprovado pelo Senado em uma sessão marcada por debates acalorados. Segundo Petros, a proposta representa um risco duplo para as instituições financeiras: primeiro, ao forçar a reestruturação de contratos em condições desfavoráveis; segundo, ao criar um precedente que pode desestimular novos financiamentos ao setor. ‘Os bancos seriam penalizados duas vezes: na carteira atual e na futura, com a redução da oferta de crédito’, alertou o executivo.

Impactos econômicos e financeiros

O valor total das dívidas do agronegócio passíveis de renegociação é estimado em bilhões de reais, embora o texto aprovado não especifique montantes exatos. A medida, classificada como ‘pauta bomba’ por críticos, pode gerar perdas significativas para bancos públicos e privados, que já enfrentam pressão por provisionamento. A Caixa Econômica Federal, como um dos maiores credores do setor, seria particularmente afetada, mas o impacto se estende a todo o sistema financeiro nacional.

Especialistas apontam que a renegociação pode comprometer a saúde financeira de instituições menores, que dependem do crédito rural para equilibrar suas carteiras. ‘É um tiro no pé da política de desenvolvimento agrícola’, afirmou um analista do setor, sob condição de anonimato. O governo, por sua vez, busca alternativas para mitigar os efeitos, mas enfrenta resistência no Congresso.

Panorama político e reações

A aprovação do projeto ocorre em um contexto de fragilidade política, com o governo tentando recompor base aliada após derrotas em votações anteriores. A medida foi vista como uma vitória da bancada ruralista, que pressionava por condições mais favoráveis para produtores endividados. No entanto, a falta de diálogo com o Executivo gerou críticas de setores que defendem maior responsabilidade fiscal.

O presidente do Comitê de Riscos da Caixa, Francisco Petros, reforçou que a decisão do Senado ignora os impactos sistêmicos. ‘Não se trata de ser contra o agro, mas de garantir que as regras sejam sustentáveis para todos os envolvidos’, afirmou. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) também se manifestou, alertando para o risco de judicialização em massa dos contratos.

Enquanto isso, o governo estuda vetar trechos do projeto ou editar uma medida provisória para ajustar os termos, mas a medida pode gerar novo embate com o Legislativo. O cenário reforça a complexidade da relação entre os Poderes e a necessidade de um pacto que equilibre interesses econômicos e sociais.

Fonte: ver noticia original

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *