Justiça mantém prisão de suspeitos de ataque a vereador em Mossoró que resultou na morte de assessor

A Justiça do Rio Grande do Norte decidiu manter presos os suspeitos de envolvimento no ataque a um vereador do Partido Liberal (PL) em Mossoró, ocorrido na última semana, que resultou na morte de um assessor parlamentar. Durante audiência de custódia realizada nesta quarta-feira (26), o juiz responsável converteu as prisões em flagrante para preventivas, determinando que os investigados permaneçam detidos enquanto as investigações prosseguem. O crime, que chocou a cidade e reacendeu o debate sobre a violência política no Brasil, segue sob apuração da Polícia Civil, que já ouviu testemunhas e analisa imagens de câmeras de segurança.

De acordo com informações do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJ-RN), os suspeitos foram presos em flagrante logo após o ataque, ocorrido na zona urbana de Mossoró. A decisão de manter a prisão preventiva foi baseada na gravidade do crime e no risco de fuga ou de interferência nas investigações. O vereador, que não teve o nome divulgado oficialmente, sobreviveu ao atentado, mas seu assessor, identificado como João Batista da Silva, de 42 anos, não resistiu aos ferimentos e morreu no local. A motivação do crime ainda é desconhecida, mas a polícia não descarta a hipótese de ligação com a atividade política da vítima.

Panorama político e social do ataque

O episódio ocorre em um contexto de crescente tensão política no Rio Grande do Norte, onde disputas locais têm se intensificado nos últimos meses. Mossoró, segunda maior cidade do estado, é palco de rivalidades partidárias históricas, e o ataque a um vereador do PL, partido de oposição ao governo estadual, levanta questionamentos sobre a segurança de agentes públicos no interior. Especialistas em segurança pública apontam que a falta de proteção adequada para vereadores e assessores em cidades de médio porte expõe esses profissionais a riscos elevados, especialmente em períodos eleitorais. O crime também reacende o debate sobre a violência política no Brasil, que, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, registrou aumento de 15% nos atentados contra políticos entre 2022 e 2024.

A Polícia Civil do Rio Grande do Norte informou que as investigações estão em andamento e que novas diligências serão realizadas nos próximos dias. Peritos criminais já estiveram no local do crime para coletar provas, e a análise de telefones celulares e de registros de câmeras de segurança pode ajudar a esclarecer a dinâmica do ataque. A família do assessor morto, João Batista da Silva, prestou depoimento e aguarda o avanço das apurações. O velório do servidor ocorreu na terça-feira (25), com a presença de colegas de trabalho e autoridades locais, que manifestaram solidariedade à família.

O caso também gerou repercussão na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, onde deputados de diferentes partidos condenaram o ataque e pediram celeridade nas investigações. O presidente da Casa, deputado Ezequiel Ferreira (PSDB), afirmou em nota que “a violência política não pode ser tolerada” e que “medidas de proteção para agentes públicos precisam ser reforçadas”. Enquanto isso, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no estado ofereceu apoio jurídico à família do assessor e acompanha o desenrolar do processo. A Justiça ainda não definiu a data para o julgamento dos suspeitos, que permanecem detidos em uma unidade prisional de Mossoró.

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