Polícia Federal analisará celulares de Jaques Wagner em investigação sobre o Caso Master

A Polícia Federal (PF) realizará perícia técnica em dois celulares apreendidos do ex-governador e atual senador Jaques Wagner (PT-BA), como parte do aprofundamento das investigações sobre o chamado Caso Master. A informação foi divulgada nesta quinta-feira, 26 de junho de 2026, pelo portal Frances News, que teve acesso a documentos oficiais do inquérito. Os aparelhos foram recolhidos durante operação autorizada pela Justiça e agora passarão por análise forense em busca de dados que possam contribuir com as apurações conduzidas pela PF.

A decisão de submeter os dispositivos à perícia ocorre em meio a um amplo escândalo que envolve supostas irregularidades em contratos públicos, lavagem de dinheiro e tráfico de influência. O Caso Master, como ficou conhecido, tem como alvo principal um esquema que teria desviado recursos de estatais e órgãos federais, com ramificações em diversos estados brasileiros. A investigação, que já dura mais de um ano, já resultou na quebra de sigilos bancários e na oitiva de dezenas de testemunhas.

Contexto político e judicial

A inclusão de Jaques Wagner no centro das investigações amplia o alcance político do caso. O senador, que já foi ministro da Defesa e da Casa Civil durante os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, nega qualquer envolvimento com as supostas irregularidades. Em nota, sua assessoria jurídica afirmou que “os celulares foram apreendidos de forma legal e que o senador colaborará integralmente com a Justiça”. A PF, por sua vez, não comentou oficialmente o teor das investigações, mas fontes internas indicam que a perícia pode revelar conversas e documentos relevantes para o esclarecimento do esquema.

O Caso Master também atinge outros políticos de diferentes partidos, incluindo nomes do PSDB, MDB e União Brasil, o que sugere uma rede de corrupção que ultrapassa fronteiras partidárias. A operação, que já resultou na prisão temporária de três empresários e dois ex-funcionários públicos, segue sob sigilo judicial, mas a expectativa é que novas fases sejam deflagradas nos próximos meses.

Impacto e desdobramentos

A perícia nos celulares de Jaques Wagner representa um passo significativo na apuração, pois pode fornecer evidências concretas sobre a participação de agentes públicos no suposto esquema. Especialistas em direito penal ouvidos pela reportagem destacam que a análise de dados digitais é crucial em investigações modernas, especialmente quando há suspeitas de ocultação de provas. “A perícia em celulares pode revelar não apenas mensagens e áudios, mas também metadados que indicam a localização e o timing de interações suspeitas”, explicou o advogado criminalista Carlos Alberto de Oliveira.

Enquanto isso, o cenário político nacional acompanha com atenção os desdobramentos do caso, que pode influenciar as eleições de 2026. O governo federal, por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), já se manifestou favorável à transparência das investigações, mas evitou comentar diretamente sobre a situação do senador. A oposição, por sua vez, cobra celeridade na apuração e pede o afastamento temporário de Jaques Wagner do cargo, o que foi rejeitado pela Mesa Diretora do Senado.

A Polícia Federal não divulgou prazo para a conclusão da perícia, mas fontes indicam que os resultados podem sair em até 30 dias. O caso segue sendo monitorado por órgãos de controle, como o Ministério Público Federal (MPF) e a Controladoria-Geral da União (CGU), que também acompanham as investigações de perto.

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