O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) gerou repercussão ao fazer uma brincadeira durante discurso em Belo Horizonte (MG), na última quinta-feira, ao comentar a convocação do jogador Neymar para a Seleção Brasileira na Copa do Mundo. Em meio a falas sobre igualdade de gênero, o petista afirmou que o atacante é ‘o primeiro convocado home office do mundo’, arrancando risos da plateia e reacendendo o debate sobre declarações presidenciais em contextos esportivos.
A declaração ocorreu quando Lula conversava com uma criança que acompanhava o evento. Após perguntar se o menino já tinha visto a craque Marta, seis vezes eleita a melhor futebolista do mundo, jogar, e receber resposta negativa, o presidente questionou quem a Seleção Brasileira tem de ‘bom de bola’ atualmente. A criança respondeu: ‘Neymar’. Lula, então, afirmou que o atacante não estava ‘nem jogando’ — Neymar se recupera de uma lesão na panturrilha — e mencionou uma postagem que disse ter visto nas redes sociais. ‘Eu vi uma coisa ontem, que o Neymar é o primeiro convocado home office do mundo’, brincou o petista, arrancando risadas dos presentes. ‘Jogador home office. Isso eu vi na internet ontem. Eu acho que qualquer dia a gente vai ter que fazer uma seleção na inteligência artificial: 11 Pelés’, emendou Lula.
Contexto esportivo e político
A brincadeira ocorre em meio à preparação da Seleção Brasileira para a segunda rodada da Copa do Mundo. Após o empate contra o Marrocos na estreia, o Brasil enfrenta nesta sexta-feira, com transmissão da TV Globo, a seleção do Haiti, às 21h30. Embora já tenha voltado a treinar com bola, Neymar não entrará em campo pela Seleção Brasileira nesta partida, pois ainda precisa aprimorar o condicionamento físico e ganhar ritmo de jogo. A declaração de Lula, embora em tom jocoso, levanta questões sobre a pressão pública sobre atletas em recuperação e o papel de figuras políticas em debates esportivos.
Esta não é a primeira vez que Lula faz um comentário sobre um atleta da Seleção Brasileira no contexto da Copa do Mundo. Em 2006, quando ainda estava no primeiro mandato como presidente, o petista fez declarações sobre a forma física do atacante Ronaldo Fenômeno. Na ocasião, Lula indagou ao técnico Carlos Alberto Parreira: ‘De vez em quando, encontro com o Ronaldo e sei que ele está magro. Mas vira e mexe a gente lê na imprensa brasileira que Ronaldo está gordo. Afinal de contas, ele está gordo ou não está gordo?’. O então camisa 9 do Brasil não gostou da colocação e respondeu: ‘Todo mundo diz que ele [Lula] bebe pra caramba. Assim como é mentira que estou gordo, deve ser mentira que ele bebe pra caramba’.
As declarações de Lula, tanto em 2006 quanto agora, evidenciam a relação entre o poder político e o esporte, especialmente em momentos de grande visibilidade como a Copa do Mundo. Enquanto alguns veem as falas como tentativas de aproximação com o público, outros criticam a abordagem por potencialmente desviar o foco de questões mais urgentes ou por expor atletas a constrangimentos desnecessários. O episódio também reacende o debate sobre o uso de redes sociais por autoridades e o impacto de declarações informais no cenário político nacional.
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