Anfavea pressiona governo Lula contra benefícios fiscais a montadoras chinesas e pede retorno de tarifa de 35%

Em meio à pressão da BYD para a retomada de benefícios fiscais, a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) enviou um ofício ao presidente Lula e a ministros, cobrando o compromisso do governo de restabelecer a cobrança de 35% sobre veículos elétricos e híbridos importados. O documento, revelado nesta sexta-feira (19), reflete o acirramento da disputa entre a indústria nacional e as montadoras chinesas que buscam ampliar sua presença no mercado brasileiro.

A iniciativa da Anfavea ocorre em um momento de forte expansão da BYD no Brasil, que acelera investimentos na produção de baterias e pressiona o governo por incentivos fiscais. A associação, que representa fabricantes como Volkswagen, General Motors e Fiat, argumenta que a manutenção de benefícios para importados prejudica a competitividade da produção local e pode levar ao fechamento de linhas de montagem e demissões.

O ofício foi endereçado ao presidente Lula, ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e ao ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin. A Anfavea pede que o governo não prorrogue as isenções fiscais concedidas a montadoras chinesas, que expiram em breve, e que restabeleça a alíquota de 35% para veículos elétricos e híbridos importados, atualmente reduzida a 0% em alguns casos.

O embate ocorre em um cenário de reestruturação da política industrial brasileira, com o governo buscando equilibrar a atração de investimentos estrangeiros e a proteção da indústria nacional. Enquanto a BYD promete gerar milhares de empregos com suas fábricas de baterias e veículos elétricos, a Anfavea alerta que a concorrência desleal pode inviabilizar os planos de expansão das montadoras tradicionais, que já investem pesado na transição para a eletrificação.

O presidente Lula, que tem defendido uma política de desenvolvimento industrial com soberania nacional, ainda não se manifestou publicamente sobre o pedido da Anfavea. A decisão do governo pode ter impactos significativos no setor automotivo, que responde por cerca de 20% do PIB industrial brasileiro e emprega mais de 1 milhão de trabalhadores diretos e indiretos.

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