O governo de Pernambuco e a prefeitura de Recife decretaram ponto facultativo na segunda e terça-feira que antecedem o feriado de São João, assegurando aos servidores públicos estaduais e municipais uma folga prolongada de até cinco dias consecutivos. A medida, publicada em edições extras dos diários oficiais nesta quinta-feira, 26 de junho, abrange todos os órgãos da administração direta e indireta, exceto serviços essenciais como saúde, segurança e transporte. A decisão conjunta visa estimular o turismo e as festividades juninas, consideradas patrimônio cultural imaterial do estado, e deve impactar cerca de 250 mil servidores ativos, segundo estimativas sindicais.
Os decretos, assinados pela governadora Raquel Lyra (PSDB) e pelo prefeito João Campos (PSB), estabelecem que o expediente será suspenso nos dias 30 de junho (segunda-feira) e 1º de julho (terça-feira), véspera do feriado de São João, celebrado em 2 de julho. Com o fim de semana anterior, os servidores terão folga de sexta-feira, 27 de junho, a quarta-feira, 2 de julho, totalizando cinco dias sem expediente. A medida não se aplica a unidades que funcionam em regime de plantão, como hospitais, delegacias e serviços de emergência, que manterão escalas mínimas.
A decisão ocorre em um contexto de alta expectativa para as festas juninas, que movimentam cerca de R$ 1,2 bilhão na economia pernambucana, segundo dados da Secretaria de Turismo do estado. Em Recife, o São João é um dos maiores eventos do calendário cultural, com atrações como o Polo Junino no Parque Dona Lindu e o Arraial da Prefeitura, que devem atrair mais de 500 mil turistas. A prefeitura estima que a folga prolongada gere um incremento de 15% no fluxo de visitantes, beneficiando setores como hotelaria, alimentação e transporte.
Panorama político e econômico
A medida conjunta entre governo estadual e prefeitura reflete a tradição de cooperação entre as gestões de Raquel Lyra e João Campos, ambos de partidos de centro-direita e centro-esquerda, respectivamente, mas que têm mantido alinhamento em pautas de interesse regional. A decisão também ocorre em meio a negociações sobre a reforma administrativa no estado, que prevê a redução de cargos comissionados e a revisão de benefícios. Sindicatos de servidores, como o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe) e o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Recife (Sindsepre), elogiaram a medida, mas cobram a manutenção de direitos trabalhistas e a recomposição salarial, congelada desde 2023.
O ponto facultativo também levanta debates sobre a produtividade no serviço público. Enquanto setores empresariais, como a Federação do Comércio de Pernambuco (Fecomércio), apoiam a iniciativa por seu potencial de aquecer a economia, críticos apontam que a folga prolongada pode impactar serviços como emissão de documentos e atendimento ao cidadão. A prefeitura de Recife informou que as repartições que lidam com demandas urgentes, como a Secretaria de Assistência Social e a Defesa Civil, manterão plantões reduzidos. Já o governo estadual destacou que as unidades do Detran-PE e da Secretaria da Fazenda funcionarão em regime de escala, com horários especiais divulgados nos sites oficiais.
Em âmbito nacional, a decisão de Pernambuco e Recife segue uma tendência de estados e municípios que adotam pontos facultativos em feriados regionais para fomentar o turismo. No Nordeste, estados como Bahia e Ceará também decretaram medidas semelhantes para o São João, enquanto no Sudeste, São Paulo e Rio de Janeiro mantêm expediente normal. A medida pernambucana, no entanto, é uma das mais amplas, abrangendo tanto a esfera estadual quanto a municipal, o que reforça a importância cultural e econômica da festa junina na região.
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