Indiferença ao apoio de Trump: 65% dos eleitores brasileiros não se deixam influenciar por endosso externo, aponta Datafolha

Uma pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (20) revela que o eventual anúncio de apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a um candidato à Presidência do Brasil nas eleições de 2026 é considerado indiferente para 65% dos eleitores brasileiros. O levantamento, que ouviu 2.004 pessoas entre os dias 17 e 18 de junho, mostra que apenas 17% dos entrevistados afirmam que o endosso do americano aumentaria a vontade de votar no candidato, enquanto 15% dizem que a vontade diminuiria. Outros 3% não souberam responder. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.

Os números indicam que, para a maioria do eleitorado brasileiro, a influência externa de Donald Trump não é um fator decisivo na escolha do voto. A pesquisa ocorre em um momento de tensão nas relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos, marcado por um novo tarifaço proposto pelo governo norte-americano contra produtos brasileiros e pela classificação das facções PCC e CV como grupos terroristas. O levantamento também testa o impacto de figuras políticas internacionais no cenário eleitoral brasileiro, que já conta com candidaturas consolidadas.

Cenário eleitoral e relações com Trump

O relacionamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, e do senador Flávio Bolsonaro (PL) com Donald Trump tem sido testado nas últimas semanas. Segundo o mesmo levantamento, Lula e Flávio Bolsonaro têm, respectivamente, 41% e 31% das intenções de voto no primeiro turno. O petista teve um encontro privado com o norte-americano na Casa Branca em maio; duas semanas depois, foi a vez de Flávio. A pesquisa também aponta que, em um eventual segundo turno, Lula teria 47% das intenções de voto contra 43% de Flávio Bolsonaro.

O governo Lula vive uma tensão com os Estados Unidos após o governo norte-americano propor um novo tarifaço contra produtos brasileiros e classificar as facções PCC e CV como grupos terroristas. Em entrevista divulgada pelo portal de notícias Axios nesta sexta-feira (19), Trump afirmou que o presidente Lula é uma pessoa “muito volátil” e que “não poderia se importar menos” com o líder brasileiro. Nesta semana, os dois participaram da cúpula do G7 na França e se cumprimentaram brevemente na terça-feira (16). O presidente norte-americano, quando questionado sobre a sua relação com o líder brasileiro, chamou o Brasil de “país politicamente complicado”.

Confusão de Trump e condenação de Eduardo Bolsonaro

Na mesma entrevista ao Axios, Trump pareceu confundir os filhos de Jair Bolsonaro: Flávio e Eduardo Bolsonaro (PL). “Tem sido desagradável. Ouvi dizer que prenderam alguém que está concorrendo a um cargo hoje. Fiquei sabendo disso depois que saímos. Eu tinha acabado de me despedir dele [Lula] e ouvi dizer que prenderam o Bolsonaro Jr. Ele estava indo bem nas pesquisas, e o prenderam porque ele deu uma declaração no Texas. Prenderam ele, ou querem prender ele”, disse Trump. A confusão ocorreu um dia depois de a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenar o deputado cassado Eduardo Bolsonaro por tentativa de interferir no julgamento do pai na trama golpista. Eduardo foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão, mas não foi preso, pois a condenação ainda não transitou em julgado.

Fonte: ver noticia original

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *