A Polícia Federal abriu inquérito para investigar o ataque hacker que invadiu o sistema da Defesa Civil e disparou alertas falsos de perigo extremo em sete estados durante a madrugada desta quarta-feira. A mensagem, que acionou sirenes de emergência em celulares de milhares de cidadãos, levou o governo federal a suspender temporariamente o sistema de alertas, enquanto equipes técnicas trabalham para identificar a origem da invasão e evitar novos incidentes.
De acordo com informações da Defesa Civil Nacional, os alertas foram enviados para celulares em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Distrito Federal. As mensagens, que simulavam situações de emergência como deslizamentos, enchentes e vendavais, geraram pânico entre a população, que acordou com o som estridente das sirenes. Em algumas regiões, houve relatos de corridas para abrigos e acionamento de serviços de emergência, como bombeiros e ambulâncias.
Investigação em andamento
A Polícia Federal já iniciou a coleta de provas digitais e depoimentos de técnicos da Defesa Civil e de operadoras de telefonia. A suspeita inicial é de que o ataque tenha sido realizado por um grupo de hackers que explorou vulnerabilidades no sistema de envio de alertas, conhecido como Cell Broadcast. Esse sistema, utilizado em diversos países para alertar a população sobre desastres iminentes, foi implementado no Brasil em 2023 e, desde então, passou por testes em várias regiões.
O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, pasta à qual a Defesa Civil está vinculada, informou que o sistema foi suspenso temporariamente para evitar novos disparos indevidos. Em nota, o ministério afirmou que “todas as medidas cabíveis estão sendo tomadas para garantir a segurança do sistema e a integridade das informações enviadas à população”. A pasta também orientou que, em caso de recebimento de novos alertas suspeitos, os cidadãos entrem em contato com a Defesa Civil local ou liguem para o número 199.
Panorama político e segurança cibernética
O incidente expõe fragilidades na infraestrutura de comunicação de emergência do país e reacende o debate sobre a segurança cibernética de sistemas públicos. Nos últimos meses, o Brasil tem registrado um aumento significativo de ataques hackers a órgãos governamentais, incluindo o Ministério da Saúde, o Supremo Tribunal Federal e a Receita Federal. Especialistas apontam que a falta de investimento em tecnologia e a ausência de uma política nacional robusta de cibersegurança tornam o país vulnerável a esse tipo de ação.
O governo federal, por meio do Gabinete de Segurança Institucional, anunciou a criação de uma força-tarefa para revisar os protocolos de segurança de todos os sistemas de alerta e emergência. A medida ocorre em meio a críticas da oposição, que cobra maior transparência e agilidade na investigação. Parlamentares de partidos como PT, PSDB e Novo já protocolaram requerimentos de informações junto ao Ministério da Justiça e à Agência Brasileira de Inteligência.
Impacto social e próximos passos
O ataque hacker gerou não apenas pânico, mas também desconfiança em relação à credibilidade dos alertas oficiais. Em São Paulo, a Defesa Civil estadual registrou mais de 500 ligações de cidadãos confusos e assustados. Em Minas Gerais, houve relatos de pessoas que saíram de casa durante a madrugada, acreditando que uma enchente iminente atingiria suas residências. A Defesa Civil de Pernambuco informou que, felizmente, não houve feridos, mas o susto foi generalizado.
A Polícia Federal deve concluir a investigação nos próximos dias, com a possibilidade de identificar os responsáveis e indiciá-los por crimes como invasão de dispositivo informático, interrupção de serviço público e dano a sistema de segurança. Enquanto isso, o governo federal trabalha para restabelecer o sistema de alertas com novas camadas de segurança, incluindo autenticação multifator e monitoramento em tempo real.
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