China monitora riscos de alinhamento de Flávio Bolsonaro a Trump e possível freio na desdolarização

A iminência de uma eleição no Brasil tendo um dos favoritos com sobrenome Bolsonaro virou um ponto de atenção em Pequim. A China calcula os riscos do que seria um governo Flávio, que já deu demonstrações públicas de alinhamento com o governo Trump e pode pôr freio às iniciativas de desdolarização no comércio entre os dois países.

O cenário preocupa analistas chineses, que veem no eventual governo de Flávio Bolsonaro um retrocesso nas relações bilaterais construídas nos últimos anos. A desdolarização, uma das bandeiras da política externa chinesa, envolve o uso de moedas locais em transações comerciais, reduzindo a dependência do dólar. Com um possível alinhamento de Flávio a Trump, a China teme que o Brasil abandone esses avanços e se aproxime ainda mais dos Estados Unidos.

Impacto no comércio bilateral

O comércio entre Brasil e China movimenta bilhões de dólares anualmente, com destaque para exportações de soja, minério de ferro e petróleo. Qualquer mudança na política cambial ou comercial pode afetar diretamente esses fluxos. A China já sinalizou que monitora de perto as declarações de Flávio sobre alinhamento a Trump, que historicamente adotou posturas protecionistas e de confronto comercial com Pequim.

Panorama político geral

O cenário eleitoral brasileiro de 2026 é marcado por incertezas, com Flávio Bolsonaro despontando como um dos favoritos. A China, que já enfrenta tensões comerciais com os Estados Unidos, vê no Brasil um parceiro estratégico para diversificar suas relações econômicas. Um governo alinhado a Trump poderia não apenas frear a desdolarização, mas também reverter acordos de cooperação em áreas como tecnologia e infraestrutura.

Fonte: Folha de S.Paulo (20/06/2026).

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