O deputado federal Kim Kataguiri anunciou neste sábado (20) a desistência de sua pré-candidatura ao governo de São Paulo pelo recém-criado partido Missão, formado por integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL). Em evento na capital paulista, Kataguiri revelou que disputará a reeleição à Câmara dos Deputados e foi escolhido para comandar o que chamou de “ministério da reforma de estado” em uma eventual gestão do pré-candidato à Presidência da República Renan Santos, também pelo Missão. A proposta prevê a criação de um superministério “transversal” que coordenará áreas como Fazenda, Gestão, Planejamento, Casa Civil e Trabalho, com o objetivo de conduzir reformas estruturais focadas na redução da máquina pública.
Segundo Kataguiri, a decisão foi motivada pela “necessidade de ter alguém na esplanada [dos Ministérios] com experiência no Congresso Nacional, para ter equipe técnica mas ao mesmo tempo condução política”. O deputado fez críticas a experiências anteriores de governo e defendeu a necessidade de combinar credibilidade técnica com habilidade de negociação política junto ao Legislativo. “Havia técnicos que deram credibilidade pro mercado na equipe de Jair Bolsonaro, mas a condução política por parte do Paulo Guedes foi um desastre”, afirmou em entrevista coletiva após o anúncio.
Renan Santos, por sua vez, detalhou que o superministério operaria diretamente da sede da Presidência da República. “Seria transformar o Palácio do Planalto numa startup”, resumiu o pré-candidato, ao lado de Kataguiri. Entre as prioridades do novo ministério, o deputado citou a aprovação de uma nova reforma previdenciária, o fim dos chamados “supersalários” no serviço público e a revisão dos pisos constitucionais de investimentos em saúde e educação. “Nós não teremos vergonha de defender publicamente o remédio amargo”, declarou Kataguiri, acusando concorrentes de cometer “estelionato eleitoral” ao dizer em campanha que não vão promover tais medidas. “Qualquer um que vença a presidência vai ter que fazer”, completou.
Embora ainda não tenha feito nenhum convite formal, Kataguiri afirmou que vai “beber da fonte” da equipe do Plano Real e de economistas como Marcos Lisboa, Samuel Pessôa, Zeina Latif, Mário Mesquita, Mansueto Almeida, Marcos Mendes e Helena Landau. “As portas do governo Renan Santos estão abertas pra vocês e todas as mentes brilhantes do nosso país”, afirmou o deputado, que pretende anunciar nos próximos dois meses os primeiros nomes do núcleo econômico que deseja levar ao governo federal. Com a desistência de Kataguiri, o Missão ainda não definiu se terá candidato próprio ao governo paulista.
O anúncio ocorre em um cenário político marcado pela fragmentação partidária e pela busca de novas lideranças para as eleições de 2026. Enquanto partidos tradicionais como PT e PSDB ainda negociam alianças, o Missão aposta em uma plataforma de reformas radicais e na figura de Renan Santos, que tenta se consolidar como alternativa ao antipetismo e ao bolsonarismo. A decisão de Kataguiri de abrir mão de uma candidatura majoritária para assumir um cargo ministerial sinaliza uma estratégia de fortalecimento do partido no plano federal, mas também expõe a dificuldade de construir palanques estaduais competitivos. A ausência de um nome forte para o governo de São Paulo pode enfraquecer a campanha presidencial no maior colégio eleitoral do país.
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