O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (26) que o país pode impor um “pedágio” no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, caso um acordo definitivo com o Irã não seja fechado. A declaração foi feita em meio à escalada de tensão entre Washington e Teerã, que nos últimos dias intensificou ameaças verbais e movimentações militares na região. A cobrança, segundo Trump, só ocorreria se as negociações diplomáticas fracassarem, mas já provoca reações em cadeia nos mercados internacionais de petróleo e entre aliados dos EUA no Oriente Médio.
A fala do presidente americano foi divulgada pela agência Frances News e ocorre em um contexto de impasse nas tratativas nucleares. Desde que Trump retirou os EUA do acordo nuclear com o Irã em 2018, as relações entre os dois países se deterioraram progressivamente. O governo iraniano, por sua vez, tem reiterado que não cederá a pressões unilaterais e que qualquer tentativa de bloquear o Estreito de Ormuz será considerada um ato de guerra. A região responde por cerca de 20% do tráfego global de petróleo, o que torna a ameaça de pedágio um fator de risco para a economia mundial.
Impactos econômicos e geopolíticos
Especialistas em geopolítica do petróleo alertam que a imposição de um pedágio no estreito poderia elevar o preço do barril em até 15% no curto prazo, afetando diretamente países dependentes de importação, como Índia, Japão e grande parte da Europa. A medida também tensionaria as relações dos EUA com aliados como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, que utilizam a rota para escoar sua produção. O governo Trump, no entanto, argumenta que a cobrança seria uma forma de financiar a segurança marítima na região e pressionar Teerã a retomar negociações.
Enquanto isso, o Conselho de Segurança da ONU acompanha com preocupação o avanço das declarações beligerantes. O porta-voz da organização, Stéphane Dujarric, pediu moderação a ambas as partes e lembrou que o Estreito de Ormuz é uma via navegável internacional, cuja liberdade de navegação é garantida por tratados multilaterais. A União Europeia também se manifestou, por meio de seu alto representante para a Política Externa, Josep Borrell, que classificou a ameaça de pedágio como “desproporcional” e capaz de desestabilizar ainda mais o Oriente Médio.
Reações no Irã e no cenário regional
Em Teerã, o ministro das Relações Exteriores, Mohammad Javad Zarif, respondeu com duras críticas, afirmando que o Irã não aceitará “chantagem econômica” e que está preparado para defender sua soberania. A Guarda Revolucionária Iraniana já realizou exercícios militares simulando o fechamento do estreito nas últimas semanas, o que elevou o alerta entre as forças navais dos EUA estacionadas no Golfo Pérsico. Analistas apontam que, embora um conflito aberto seja improvável no curto prazo, a retórica agressiva de ambos os lados aumenta o risco de incidentes não intencionais.
No plano doméstico americano, a declaração de Trump também repercute entre seus opositores. O líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, criticou a abordagem do presidente, classificando-a como “aventureirismo diplomático” que pode custar caro aos contribuintes e soldados americanos. Já entre aliados republicanos, a medida é vista como uma forma legítima de pressionar o Irã sem recorrer a uma ação militar direta. O debate promete aquecer as discussões no Congresso nas próximas semanas, especialmente em ano eleitoral.
A situação no Estreito de Ormuz segue sob monitoramento constante de agências de inteligência e companhias de navegação, que já começam a avaliar rotas alternativas, como o oleoduto do Mar Vermelho, para mitigar riscos. Enquanto isso, a comunidade internacional aguarda os próximos passos de Washington e Teerã, cientes de que qualquer decisão terá repercussões profundas no equilíbrio energético e político global.
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