Venda de fazenda de R$ 18,7 milhões liga senador a offshore em paraíso fiscal

Uma empresa do senador Ciro Nogueira (PP-PI) vendeu uma fazenda avaliada em R$ 18,7 milhões, localizada no município de Pedro 2º (PI), para uma offshore sediada nos Emirados Árabes Unidos, paraíso fiscal onde a transação foi representada por um advogado que trabalha para o parlamentar. O negócio, revelado em reportagem da Folha de S.Paulo publicada em 20 de junho de 2026, levanta questionamentos sobre a lisura de operações financeiras envolvendo agentes políticos e jurisdições de baixa tributação.

A offshore compradora, cujo nome não foi divulgado, é administrada por um advogado que atua diretamente para Ciro Nogueira, conforme documentos obtidos pela reportagem. A fazenda, que pertencia a uma empresa controlada pelo senador, foi transferida em uma transação que não detalha a origem dos recursos nem os beneficiários finais da offshore. Especialistas em compliance apontam que a operação pode violar normas de transparência fiscal, especialmente por envolver um parlamentar com histórico de influência no orçamento federal.

Panorama político e econômico

A venda ocorre em um contexto de crescente escrutínio sobre o uso de paraísos fiscais por políticos brasileiros. Nos últimos anos, o Congresso Nacional tem debatido projetos de lei que obrigam a declaração de offshores, mas a aprovação enfrenta resistência de setores ligados ao agronegócio e ao mercado financeiro. Ciro Nogueira, que já ocupou a presidência nacional do PP e foi ministro da Casa Civil no governo Bolsonaro, é uma figura central nesse debate, com forte atuação em comissões que tratam de reforma tributária e regulação financeira.

A transação também reacende discussões sobre a legalidade de operações imobiliárias com offshores em paraísos fiscais. Embora a venda de imóveis para empresas estrangeiras não seja ilegal, a falta de transparência sobre os controladores da offshore e o envolvimento de um advogado do senador como representante da compradora geram suspeitas de conflito de interesses. A Fazenda Nacional, por meio da Receita Federal, informou que investiga operações similares, mas não comentou o caso específico.

O senador, por meio de sua assessoria, negou qualquer irregularidade e afirmou que a venda foi realizada dentro da lei, com todos os impostos devidos. No entanto, a oposição no Congresso já anunciou que pedirá a abertura de uma CPI para investigar offshores de políticos. A transação, que envolve valores expressivos e um paraíso fiscal, deve alimentar o debate sobre a necessidade de maior regulação e transparência no sistema financeiro brasileiro.

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