Eduardo Mendonça Sodré Martins, 39, assumiu um cargo no governo da Bahia em janeiro de 2023 sob forte lastro familiar, com indicação direta do padrasto Jaques Wagner (PT), atual líder do governo Lula (PT) no Senado, e da mãe Fátima Mendonça, primeira-dama do estado entre 2007 e 2014. A nomeação ocorre em um contexto de crescente tensão interna no PT baiano, onde alas ligadas às bases partidárias criticam a concentração de poder em núcleos familiares e a falta de renovação política.
A trajetória de Eduardo Mendonça Sodré Martins no governo estadual é marcada por uma rápida ascensão que, segundo fontes ouvidas pela reportagem, não reflete um vínculo orgânico com as bases do partido. Enquanto militantes históricos do PT na Bahia reivindicam maior participação nas decisões administrativas, o novo gestor é visto como um representante de uma elite política que se perpetua por meio de laços familiares, distanciando-se do discurso de democratização interna que sempre pautou a legenda.
O caso ganha relevância no panorama político nacional, especialmente após as recentes denúncias de nepotismo cruzado em outros estados governados pelo PT. Em 2025, o partido enfrentou críticas semelhantes no Rio Grande do Norte e no Ceará, onde parentes de lideranças petistas foram nomeados para cargos estratégicos sem passar por processos seletivos públicos. Na Bahia, a situação é agravada pelo fato de Jaques Wagner ser uma das figuras mais influentes do governo Lula no Congresso, o que levanta questionamentos sobre a separação entre os poderes Executivo e Legislativo.
Especialistas em administração pública consultados apontam que a nomeação de Eduardo Mendonça Sodré Martins não viola a legislação atual, mas fere princípios éticos defendidos pelo próprio PT em seus programas de governo. A legenda, que sempre pregou a transparência e o combate ao patrimonialismo, agora vê suas práticas internas serem questionadas por aliados e opositores. O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso, mas assessores próximos indicam que a gestão pretende manter a nomeação, argumentando que o indicado possui formação técnica adequada para o cargo.
Enquanto isso, a oposição no estado já prepara representações no Ministério Público e na Controladoria-Geral da União, pedindo investigações sobre possíveis irregularidades. O debate, no entanto, vai além do aspecto legal: ele expõe as contradições de um partido que, no poder, reproduz práticas que antes combatia. A ascensão de Eduardo Mendonça Sodré Martins na Bahia é, portanto, um sintoma de um fenômeno mais amplo na política brasileira, onde o lastro familiar continua a ser um atalho para o poder, mesmo em legendas que se autointitulam progressistas.
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