Uma operação conjunta da Polícia Civil de São Paulo e da Polícia Federal resultou na prisão de seis suspeitos de integrarem uma quadrilha especializada em aplicar golpes contra turistas no Aeroporto Internacional de Guarulhos, o maior da América Latina. Os falsos motoristas abordavam passageiros recém-chegados, oferecendo serviços de transporte por valores abusivos e, em muitos casos, realizando cobranças indevidas com cartões de crédito clonados. A ação, deflagrada na manhã desta quarta-feira (12), cumpriu mandados de prisão temporária e de busca e apreensão em endereços ligados ao grupo, que atuava há pelo menos oito meses no terminal 2 do aeroporto.
De acordo com as investigações, os criminosos se passavam por motoristas de aplicativos ou de empresas de transporte credenciadas, abordando turistas desavisados na área de desembarque. Após convencerem as vítimas a contratar o serviço, os suspeitos utilizavam maquininhas de cartão adulteradas para cobrar valores muito superiores ao combinado, chegando a faturar até R$ 3 mil em uma única corrida. Em outros casos, os passageiros tinham seus dados bancários clonados e sofriam prejuízos posteriores. A estimativa da polícia é que o grupo tenha movimentado mais de R$ 500 mil nos últimos meses, com cerca de 200 vítimas identificadas, a maioria turistas estrangeiros vindos de países como Estados Unidos, França e Argentina.
Esquema sofisticado e prejuízo ao turismo
O delegado responsável pelo caso, Carlos Alberto de Oliveira, da Delegacia de Crimes Contra o Turista, destacou que a quadrilha operava de forma organizada, com divisão de tarefas: alguns membros faziam a abordagem inicial, enquanto outros gerenciavam as maquininhas e a logística dos veículos. “Eles escolhiam alvos vulneráveis, como idosos e famílias com crianças, e usavam técnicas de persuasão para ganhar a confiança das vítimas. O impacto vai além do financeiro, pois mancha a imagem do Brasil como destino turístico seguro”, afirmou o delegado. A operação contou com o apoio da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e da Secretaria de Turismo de São Paulo, que reforçaram a fiscalização no entorno do aeroporto.
Os presos, que não tiveram os nomes divulgados, responderão por crimes de estelionato, associação criminosa e lavagem de dinheiro. As penas podem chegar a 10 anos de reclusão. Durante as buscas, foram apreendidos celulares, computadores, maquininhas de cartão e veículos de luxo usados no esquema. A polícia não descarta a existência de outros envolvidos e continua as investigações para identificar possíveis conexões com facções criminosas que atuam em aeroportos brasileiros.
Panorama político e segurança nos aeroportos
O caso reacende o debate sobre a segurança nos terminais aeroportuários do país, especialmente em um momento de retomada do turismo internacional pós-pandemia. Dados do Ministério do Turismo indicam que o Brasil recebeu 6,6 milhões de turistas estrangeiros em 2024, um aumento de 15% em relação ao ano anterior, mas ainda abaixo dos níveis pré-2020. A ocorrência de golpes em pontos de entrada como Guarulhos pode comprometer a meta do governo federal de atrair 10 milhões de visitantes até 2027. Em nota, a Infraero, que administra o aeroporto, afirmou que reforçou a sinalização e a presença de seguranças nos terminais, além de orientar passageiros a utilizarem apenas serviços oficiais de transporte.
Especialistas em segurança pública ouvidos pela reportagem apontam que a ação criminosa explora uma lacuna na fiscalização, já que o aeroporto de Guarulhos movimenta cerca de 50 milhões de passageiros por ano e conta com um número limitado de agentes para coibir práticas ilegais. O governo do estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Segurança Pública, anunciou a criação de uma força-tarefa permanente para combater crimes contra turistas, com integração entre as polícias Civil, Militar e Federal. A medida foi elogiada por entidades do setor, como a Associação Brasileira de Agências de Viagens (ABAV), que cobra maior rigor na punição dos envolvidos. Enquanto isso, as vítimas do golpe seguem em busca de ressarcimento, e a polícia orienta que qualquer pessoa lesada procure a delegacia especializada para registrar ocorrência.
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