Eventos fortuitos e alheios à ação dos governantes — como o desempenho da seleção na Copa — influenciam o comportamento dos agentes políticos? A democracia funciona quando os eleitores recompensam bons governantes e punem maus governantes. Mas se os cidadãos atribuem responsabilidade a governos por acontecimentos que não controlam, a racionalidade do processo democrático está em xeque. Autocratas mobilizam sucessos em eventos para alavancar popularidade, mas sua sobrevivência no cargo depende de força bruta e abuso de poder, não de eleições.
A análise, publicada na coluna de Marcus Melo na Folha de S.Paulo em 21 de junho de 2026, levanta um debate crucial sobre a qualidade da democracia em tempos de grandes eventos midiáticos. O texto sugere que a euforia ou frustração geradas por resultados esportivos podem contaminar a avaliação racional que os eleitores fazem de seus representantes, distorcendo o mecanismo de recompensa e punição esperado em regimes democráticos.
O risco da irracionalidade democrática
O colunista alerta que, quando a população confunde sorte ou acaso com competência administrativa, o sistema democrático perde sua principal virtude: a capacidade de corrigir rumos por meio do voto consciente. Marcus Melo destaca que, em regimes autoritários, a manipulação de eventos esportivos é uma ferramenta comum para desviar a atenção de crises internas e consolidar a imagem do líder, mas a verdadeira sustentação do poder autocrático não vem das urnas, e sim da repressão e do controle coercitivo.
O artigo original, disponível no link A Copa 2026 e a política das emoções, serve como um alerta para que cidadãos e analistas políticos não confundam o brilho momentâneo de uma conquista esportiva com a solidez de políticas públicas ou a competência de governantes. Em um cenário global de polarização e desinformação, a Copa de 2026 se torna um laboratório para observar como as emoções coletivas podem ser instrumentalizadas, colocando em risco a própria essência do contrato democrático.
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