O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) parabenizou neste domingo (21) o candidato da ultradireita Abelardo de la Espriella pela vitória nas eleições presidenciais da Colômbia, resultado que consolida a guinada conservadora na América Latina e representa a primeira derrota eleitoral da esquerda no país vizinho após o governo de Gustavo Petro. Em publicação nas redes sociais, o parlamentar afirmou que “a direita segue triunfando” e celebrou o que chamou de “nova era de liberdade e prosperidade” para o continente. A apuração preliminar, divulgada ainda na noite de domingo, aponta que Espriella, estreante na política, obteve vantagem suficiente para vencer o pleito, encerrando um ciclo de quatro anos de administração progressista.
A vitória de Espriella, que se apresenta como um outsider e crítico ferrenho do establishment político colombiano, ocorre em um contexto de forte polarização e insatisfação popular com a segurança pública e a economia. Durante a campanha, o candidato prometeu endurecer o combate ao narcotráfico, reduzir impostos e reverter políticas sociais implementadas pelo governo Petro, como a reforma tributária e os acordos de paz com as Farc. O resultado coloca a Colômbia na rota da ultradireita, seguindo tendências observadas em países como Argentina, Equador e Brasil, onde líderes conservadores ou de direita radical venceram eleições recentes.
Repercussão internacional e alinhamento regional
A reação de Flávio Bolsonaro não foi isolada. Outros políticos brasileiros alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro também manifestaram apoio a Espriella, reforçando a tese de que a direita latino-americana busca coordenar ações e discursos. O senador, que é filho do ex-presidente, destacou que a vitória colombiana “mostra que o povo está cansado do socialismo” e que “a esperança venceu o medo”. A declaração ocorre em meio ao avanço de investigações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro no Brasil, mas o foco do parlamentar foi exclusivamente o cenário externo.
Para analistas políticos, a eleição de Espriella representa um duro golpe para a esquerda colombiana, que governava o país desde 2022 com Gustavo Petro. Petro, primeiro presidente de esquerda da história recente da Colômbia, enfrentou desafios como alta inflação, aumento da violência em áreas rurais e crises diplomáticas com países vizinhos. A derrota eleitoral, portanto, é vista como um reflexo do desgaste natural de governos progressistas na região, especialmente em um momento de ascensão de discursos antipetistas e antissistema.
Impactos na política brasileira e no equilíbrio continental
A vitória de Espriella também tem implicações diretas para o Brasil. O fortalecimento da direita na Colômbia pode influenciar as eleições municipais brasileiras de 2028 e a corrida presidencial de 2030, além de criar um novo eixo de alianças conservadoras no continente. O governo brasileiro, atualmente liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deve enfrentar maior pressão diplomática e ideológica, especialmente em temas como política ambiental, direitos humanos e integração regional. A Colômbia, sob Espriella, tende a se alinhar mais aos Estados Unidos e a países como Argentina de Javier Milei, isolando ainda mais o Brasil no cenário sul-americano.
Especialistas ouvidos pelo República do Povo alertam que a vitória da ultradireita na Colômbia pode acelerar a fragmentação de blocos regionais como a Unasul e a Celac, além de dificultar acordos comerciais e de cooperação em segurança. O resultado também reacende o debate sobre a força do populismo de direita na América Latina, que já havia se manifestado em países como Chile (com a eleição de Gabriel Boric, embora de esquerda, mas com forte rejeição ao establishment) e Peru. No entanto, a diferença agora é a consolidação de um bloco coeso de governos de ultradireita, que compartilham discursos antiglobalistas e nacionalistas.
O senador Flávio Bolsonaro concluiu sua mensagem afirmando que “a Colômbia deu um exemplo ao mundo” e que “a direita unida vencerá em toda a América Latina”. A declaração, embora pontual, sinaliza a intenção do grupo político de capitalizar o resultado colombiano para fortalecer sua própria agenda no Brasil, em um momento de incertezas jurídicas e políticas. Enquanto isso, a Colômbia se prepara para a transição de governo, marcada para agosto, quando Espriella assumirá oficialmente o cargo e iniciará a implementação de seu programa de governo.
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