Colômbia elege presidente de direita em disputa acirrada; vitória de Abelardo De La Espriella redefine rumos do país

O candidato de direita colombiano Abelardo De La Espriella conquistou vitória apertada nas eleições presidenciais desse domingo (21), segundo contagem preliminar dos votos, com os eleitores apostando em sua promessa — apoiada pelo presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump — de combate ao crime e fortalecimento da economia. De La Espriella tinha 49,66% dos votos, enquanto seu rival, o senador Iván Cepeda, ficou atrás por cerca de 250 mil votos, com 48,7%, de acordo com a apuração do Registro Civil Nacional de pouco menos de 100% dos votos no segundo turno. A disputa acirrada reflete a polarização política que marcou a campanha, com a direita consolidando sua ascensão na região.

O resultado representa uma guinada significativa na política colombiana, encerrando o ciclo iniciado pelo presidente Gustavo Petro, ex-rebelde e primeiro presidente de esquerda do país. Cepeda, de 63 anos, havia prometido manter as políticas de Petro, incluindo o pagamento de aposentadorias estatais para os pobres, reformas trabalhistas apoiadas pelos sindicatos, uma moratória sobre novos projetos de petróleo e a continuidade das negociações de paz com grupos armados. A derrota de Cepeda sinaliza uma rejeição parcial ao legado petrista, especialmente em áreas urbanas e regiões afetadas pela violência.

Promessas de campanha e impacto econômico

De La Espriella culpou Petro pelos problemas econômicos e de segurança do país, incluindo a expansão dos grupos armados, e prometeu encerrar as negociações com rebeldes e grupos criminosos, ao mesmo tempo em que impulsionaria o setor de petróleo e gás, reduziria impostos e diminuiria o tamanho do Estado em até 40%. Ele afirmou, no entanto, que preservará o aumento de 23% do salário mínimo promovido por Petro, juntamente com outras medidas sociais populares. A promessa de corte de gastos públicos e estímulo ao setor energético deve atrair investimentos estrangeiros, mas também gera incertezas sobre programas sociais e acordos de paz.

“Governarei para todos os colombianos, tanto para aqueles que votaram em mim quanto para aqueles que escolheram o outro candidato”, disse De La Espriella a uma multidão de apoiadores reunidos na cidade litorânea de Barranquilla, em discurso de vitória. A declaração busca acalmar os ânimos após uma campanha marcada por ataques e desconfiança mútua entre os campos adversários.

Panorama político e reações

A vitória de De La Espriella amplia a onda conservadora na América Latina, alinhando a Colômbia a governos de direita em países como Argentina, Chile e Equador. O apoio explícito de Donald Trump durante a campanha reforça a influência dos EUA na região, especialmente em temas de segurança e comércio. Enquanto isso, setores da esquerda colombiana, incluindo aliados de Petro, já questionam a legitimidade do resultado preliminar, com acusações de irregularidades na apuração. O novo governo enfrentará o desafio de unificar um país dividido, onde a violência política e o narcotráfico continuam a desafiar as instituições.

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