O estado de Alagoas alcançou uma redução de quase 30% no analfabetismo nos últimos 10 anos, atingindo o menor índice histórico da série, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e repercutidos pelo portal urbnews.com.br. A queda de 29,7% na taxa de analfabetismo entre 2014 e 2024 coloca o estado como um dos que mais avançaram no país, saindo de 18,2% para 12,8% da população com 15 anos ou mais que não sabe ler ou escrever.
O resultado representa um marco para a educação alagoana, que historicamente figurava entre as piores do Brasil. A melhora é atribuída a uma combinação de fatores, incluindo programas estaduais de alfabetização de jovens e adultos, como o Programa Alagoas Alfabetizada, e investimentos em infraestrutura escolar. Dados do Censo Escolar indicam que o número de matrículas na Educação de Jovens e Adultos (EJA) cresceu 12% no período, enquanto a taxa de abandono escolar caiu 8 pontos percentuais.
O avanço também reflete um contexto nacional de melhoria gradual nos indicadores educacionais. O Brasil reduziu sua taxa de analfabetismo de 8,3% para 6,8% no mesmo período, mas Alagoas superou a média nacional, saindo de uma posição de destaque negativo para um patamar mais próximo da média nordestina, que ainda é de 13,9%. A redução alagoana foi puxada principalmente por regiões do interior, como o Sertão e o Agreste, onde o índice caiu de 22% para 15%.
Especialistas em educação, como a professora Maria do Socorro Silva, da Universidade Federal de Alagoas, destacam que o resultado é fruto de políticas contínuas, mas alertam para desafios persistentes. “Ainda temos 12,8% de analfabetos, o que significa cerca de 400 mil pessoas. O próximo passo é garantir a permanência e a qualidade do ensino, especialmente para a população rural e quilombola”, afirmou. O governo estadual, por sua vez, anunciou a ampliação do programa de alfabetização para incluir comunidades indígenas e ribeirinhas.
O impacto social da redução do analfabetismo é sentido em indicadores como a renda média e a participação no mercado de trabalho. Em Maceió, a capital, a taxa de desemprego entre pessoas com ensino fundamental completo caiu 5% no período, enquanto a renda média subiu 18%. Para o economista Carlos Alberto de Oliveira, da Fundação Getulio Vargas, “a alfabetização é um dos principais vetores de desenvolvimento regional, e Alagoas está colhendo os frutos de investimentos que começaram há uma década”.
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