Violência institucional: juiz é denunciado ao CNJ por conduta contra vítima de tentativa de feminicídio

Um juiz foi denunciado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sob acusação de violência institucional contra uma vítima de tentativa de feminicídio. O caso, que ganhou repercussão após a divulgação de um vídeo, ocorreu em setembro daquele ano, quando a vítima foi espancada em via pública com sucessivos golpes na cabeça, sobrevivendo apenas devido à intervenção de populares e da Polícia Militar. A denúncia foi formalizada por entidades de defesa dos direitos das mulheres e levanta questionamentos sobre a atuação do Judiciário em casos de violência de gênero.

De acordo com a denúncia, o magistrado teria adotado uma postura que desrespeitou os protocolos de proteção à vítima, minimizando a gravidade do ataque e desconsiderando o risco iminente à vida da mulher. A vítima, que já havia sofrido agressões anteriores, foi atendida inicialmente por equipes de emergência, mas, segundo relatos, o juiz teria questionado a veracidade das acusações e pressionado por uma conciliação entre a vítima e o agressor, prática condenada por especialistas em violência doméstica.

Panorama político e jurídico

O episódio ocorre em um contexto de crescente debate sobre a eficácia das medidas protetivas e a atuação do Judiciário em casos de feminicídio. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que, em 2023, o Brasil registrou uma tentativa de feminicídio a cada duas horas, com muitas vítimas relatando desamparo institucional. A denúncia ao CNJ reflete uma pressão de movimentos sociais e de parlamentares por maior rigor na aplicação da Lei Maria da Penha e por treinamento específico para magistrados.

O caso também expõe divergências entre o Poder Judiciário e o Executivo, que tem defendido a criação de varas especializadas em violência contra a mulher. Enquanto isso, o CNJ já havia recomendado, em resolução de 2022, que juízes adotassem uma abordagem sensível ao gênero, mas a implementação ainda é irregular. A vítima, que permanece sob proteção policial, aguarda a análise do processo disciplinar contra o juiz, que pode resultar em sanções que vão desde advertência até aposentadoria compulsória.

O Ministério Público também acompanha o caso, e a Defensoria Pública da União emitiu nota criticando a conduta do magistrado, classificando-a como um retrocesso no combate à violência de gênero. A sociedade civil, por sua vez, organiza protestos e cobra do CNJ uma resposta célere, enquanto o juiz denunciado não se manifestou publicamente até o fechamento desta edição.

Fonte: ver noticia original

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *