O golpe do falso advogado já gerou mais de 1.520 denúncias em São Paulo desde o início do ano, segundo dados da seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Os criminosos entram em contato com clientes de escritórios de advocacia, apresentam dados verdadeiros sobre processos judiciais e alegam que é necessário fazer um pagamento para liberar valores de uma ação. O esquema, que se expande rapidamente pelo país, acendeu um alerta no sistema judiciário e nas forças de segurança, que investigam a possível participação de facções criminosas na obtenção das informações processuais.
A modalidade criminosa tem como alvo principal pessoas que aguardam o recebimento de valores oriundos de ações judiciais, como indenizações, precatórios ou heranças. Os golpistas, munidos de dados precisos sobre o andamento do processo — incluindo números de registro, nomes de partes e valores envolvidos —, ligam ou enviam mensagens se passando por advogados ou representantes do escritório responsável. A vítima é então orientada a depositar taxas ou impostos para liberar o montante, que nunca é pago.
Panorama nacional e investigações em curso
O crescimento das denúncias em São Paulo reflete uma tendência nacional. Em Alagoas, a Polícia Civil deflagrou recentemente uma operação contra esquema de golpe habitacional, que apreendeu veículos e bens de suspeitos de aplicar fraudes semelhantes. Já em Belém, a Operação Matrix prendeu um grupo que se passava pelo ator Keanu Reeves para enganar uma idosa. O padrão de atuação, com uso de dados reais e abordagem personalizada, indica uma sofisticação que preocupa as autoridades.
A OAB-SP informou que está colaborando com a Polícia Civil e o Ministério Público para identificar as fontes de vazamento de informações processuais. A suspeita é de que os dados sejam obtidos por meio de invasões a sistemas de tribunais, compra de informações de funcionários públicos ou até mesmo por meio de acordos com facções criminosas, como aponta uma reportagem da Folha de S.Paulo. O avanço legislativo contra o golpe do falso advogado também ganhou força no Congresso, que age enquanto Alagoas enfrenta um surto de denúncias.
Impacto econômico e social
O prejuízo estimado com o golpe já ultrapassa dezenas de milhões de reais, afetando principalmente aposentados, pensionistas e pessoas de baixa renda que aguardam decisões judiciais. Muitas vítimas, ao perceberem o engano, enfrentam dificuldades para recuperar os valores perdidos, já que os criminosos utilizam contas bancárias laranjas e se desfazem rapidamente dos recursos. O caso também expõe fragilidades no sistema de segurança dos tribunais, que precisam reforçar a proteção de dados processuais.
Em paralelo, o acordo de delação de Zettel ameaça uma rede de fraudes financeiras e impacta o cenário político, revelando conexões entre esquemas de extorsão e lavagem de dinheiro. As investigações em andamento podem trazer à tona novos desdobramentos, incluindo a participação de servidores públicos e advogados corruptos.
Orientações para prevenção
A OAB-SP recomenda que clientes de escritórios de advocacia nunca realizem pagamentos por telefone ou mensagem sem antes confirmar a informação diretamente com o advogado responsável, por canais oficiais. Desconfie de cobranças urgentes ou de valores que pareçam altos demais para serem liberados. Em caso de suspeita, a orientação é registrar um boletim de ocorrência e comunicar a seccional da OAB mais próxima. A polícia alerta que a prevenção é a melhor defesa contra um crime que já vitimou milhares de brasileiros.
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