PF bloqueia R$ 670 milhões em operação contra esquema fraudulento no Digimais, banco ligado à Igreja Universal

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (23) a Operação Miragem, com o cumprimento de nove mandados de busca e apreensão, visando desarticular um esquema fraudulento no Digimais, banco controlado pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e proprietário da RecordTV. A ação resultou no bloqueio de R$ 670 milhões, em uma das maiores apreensões financeiras já realizadas pela corporação em investigações contra o sistema financeiro paralelo.

As investigações, conduzidas pela PF em conjunto com o Ministério Público Federal, apontam indícios de crimes como gestão fraudulenta de instituição financeira, lavagem de dinheiro e operações irregulares de câmbio. O esquema teria movimentado valores expressivos nos últimos anos, utilizando o Digimais como plataforma para ocultar a origem de recursos e burlar mecanismos de controle do Banco Central.

O Digimais, que já foi alvo de questionamentos do mercado e de reguladores, vinha sendo monitorado desde 2024, quando relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontaram transações suspeitas envolvendo pessoas físicas e jurídicas ligadas à Igreja Universal. A operação desta terça-feira representa o ápice de uma investigação que durou mais de 18 meses, com escutas telefônicas, quebras de sigilo bancário e fiscal, e análise de dados fiscais.

O bloqueio de R$ 670 milhões atinge diretamente a estrutura financeira do grupo, que inclui não apenas o banco, mas também empresas de mídia e imobiliárias controladas por Edir Macedo e seus familiares. A medida cautelar, autorizada pela Justiça Federal, visa garantir o ressarcimento de eventuais danos causados a investidores e ao sistema financeiro nacional.

Em nota, a Polícia Federal informou que as investigações continuam e que novas fases da operação não estão descartadas. A Igreja Universal e a RecordTV ainda não se manifestaram oficialmente sobre o caso. O Digimais, por meio de sua assessoria, afirmou que está colaborando com as autoridades e que confia na apuração dos fatos.

O episódio reacende o debate sobre a regulação do sistema financeiro no Brasil, especialmente no que tange a instituições bancárias ligadas a grupos religiosos. Especialistas apontam que a falta de transparência e a concentração de poder em figuras como Edir Macedo criam brechas para a ocorrência de fraudes e lavagem de dinheiro. A Operação Miragem é vista como um sinal de que o Banco Central e a PF estão intensificando o combate a esses esquemas, que movimentam bilhões de reais anualmente.

Fonte: ver noticia original

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *