A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (23) a Operação Miragem, que resultou no bloqueio de R$ 670 milhões e na investigação de um esquema de fraudes financeiras no Banco Digimais, instituição controlada pelo bispo Edir Macedo Bezerra, de 81 anos, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd). A ação, baseada em relatórios produzidos pelo Banco Central, identificou indícios de captação irregular de recursos, lavagem de dinheiro e movimentações financeiras suspeitas que envolvem líderes religiosos e empresários ligados à igreja.
A operação, que mobilizou agentes em vários estados, representa um dos maiores golpes contra o sistema financeiro paralelo ligado a instituições religiosas no Brasil. As investigações apontam que o Banco Digimais operava como uma espécie de “banco paralelo”, captando recursos de fiéis e empresas sem a devida autorização regulatória, e utilizando esses valores para financiar atividades políticas e empresariais do grupo. O montante bloqueado, de R$ 670 milhões, é um dos maiores já registrados em operações do tipo, e reflete a escala do esquema.
Panorama político e econômico
A Operação Miragem ocorre em um momento de intensa fiscalização do sistema financeiro nacional, com o Banco Central e a Polícia Federal atuando em conjunto para coibir práticas ilegais. O caso expõe a vulnerabilidade de instituições financeiras não reguladas, que muitas vezes atuam à margem da lei, e levanta questões sobre a influência de grupos religiosos no cenário político e econômico brasileiro. A investigação também mira possíveis conexões com políticos que receberam doações ou financiamentos do grupo, ampliando o escopo da apuração.
O bloqueio dos R$ 670 milhões foi autorizado pela Justiça Federal, que também determinou a quebra de sigilos bancários e fiscais de pessoas físicas e jurídicas envolvidas. A medida visa evitar a dissipação dos recursos e garantir o ressarcimento de possíveis vítimas. A Polícia Federal informou que as investigações continuam e que novas fases da operação não estão descartadas, dependendo do avanço das análises dos documentos apreendidos.
O caso do Banco Digimais não é isolado. Nos últimos anos, o Banco Central tem intensificado a supervisão sobre instituições financeiras ligadas a igrejas, após denúncias de irregularidades em captações e aplicações de recursos. A Operação Miragem, no entanto, se destaca pelo volume de recursos envolvidos e pela projeção nacional dos investigados, incluindo Edir Macedo, um dos líderes religiosos mais influentes do Brasil, com forte atuação política e midiática.
A Igreja Universal, por meio de nota, afirmou que o Banco Digimais opera dentro da legalidade e que todas as movimentações financeiras são transparentes. No entanto, as investigações da Polícia Federal indicam o contrário, apontando para um esquema sofisticado de lavagem de dinheiro que teria desviado recursos de fiéis e empresas para financiar campanhas políticas e empreendimentos do grupo. A operação, portanto, não apenas expõe as práticas do banco, mas também levanta alertas sobre a necessidade de maior regulação do setor financeiro religioso no país.
Fonte: ver noticia original

