Pesquisa Datafolha divulgada nesta terça-feira (23) aponta que 59% dos brasileiros concordam total ou parcialmente com a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, enquanto 74% rejeitam a possibilidade de os Estados Unidos atuarem dentro do Brasil contra os integrantes das facções sem autorização do governo federal. O levantamento, que ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 17 e 18 de junho, em 139 municípios, tem margem de erro de dois pontos percentuais e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09956/2026.
Entre os entrevistados, 45% concordam totalmente com a classificação das facções como terroristas, 14% concordam em parte, 11% discordam em parte, 22% discordam totalmente, 1% não concorda nem discorda e 7% não souberam responder. A medida foi adotada pelo governo dos Estados Unidos em junho, sob a gestão de Donald Trump, e divulgada no fim de maio. O apoio majoritário reflete uma percepção de que as organizações criminosas representam ameaça à segurança nacional, mas a rejeição à ação estrangeira sem aval do Brasil indica forte defesa da soberania nacional.
Conhecimento sobre a classificação
A pesquisa também mediu o grau de conhecimento dos entrevistados sobre a decisão americana. Do total, 83% afirmaram ter tomado conhecimento da nova classificação, sendo que 35% se consideram bem informados, 37% mais ou menos informados e 11% mal informados. Outros 13% disseram não ter tomado conhecimento e 5% não souberam responder. O alto índice de conhecimento sugere que o tema ganhou relevância no debate público, especialmente em um ano eleitoral.
Influência de Flávio Bolsonaro na decisão dos EUA
A pesquisa ainda investigou a percepção sobre a influência do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na decisão do governo americano. Para 54% dos entrevistados, o parlamentar teve influência, enquanto 30% acreditam que não teve e 16% não souberam responder. Dentre os que reconhecem a influência, 57% a consideram negativa para o Brasil e 37%, positiva. O dado insere-se em um contexto de polarização política, onde figuras ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro continuam a mobilizar opiniões, especialmente em temas de segurança e relações internacionais.
O levantamento ocorre em meio às eleições presidenciais de 2026, nas quais Flávio Bolsonaro é pré-candidato, e a classificação das facções como terroristas pelos EUA reacendeu debates sobre cooperação internacional e combate ao crime organizado. Enquanto o governo brasileiro busca equilibrar a repressão ao crime com a defesa da soberania, a opinião pública mostra-se dividida entre o apoio a medidas duras e a desconfiança em relação à interferência externa.
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