O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deve solicitar ao governo americano, durante audiência pública marcada para 6 de julho, que suspenda até depois das eleições brasileiras o processo que pode resultar na aplicação de novas tarifas contra o Brasil. A informação foi divulgada pela coluna Painel, da Folha de S.Paulo, nesta terça-feira (23 de junho de 2026).
A iniciativa ocorre em meio a um cenário de tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos, agravado por investigações sobre supostas violações de direitos humanos e ambientais no país. O processo, conduzido pelo governo de Donald Trump, prevê a possibilidade de sanções comerciais caso o Brasil não adote medidas consideradas satisfatórias em áreas como desmatamento na Amazônia e proteção a povos indígenas.
Contexto político e reações
O pedido de Flávio Bolsonaro ocorre em um momento de forte polarização no Brasil, com as eleições presidenciais previstas para outubro de 2026. Aliados do senador afirmam que a suspensão das sanções evitaria que o tema seja usado como arma política contra o governo brasileiro, enquanto críticos apontam que a medida pode ser interpretada como uma tentativa de blindar o país de pressões externas legítimas.
Na audiência, o senador deve criticar a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e defender que eventuais punições sejam aplicadas de forma individualizada, e não contra o Brasil como um todo. A estratégia busca desvincular a imagem do país das ações de setores específicos, como o agronegócio e a mineração ilegal.
Impactos econômicos e diplomáticos
As novas tarifas, se aplicadas, poderiam afetar setores estratégicos da economia brasileira, como a exportação de aço, carne e soja. Especialistas estimam que o impacto poderia chegar a bilhões de dólares, comprometendo a recuperação econômica pós-pandemia e gerando desemprego em cadeias produtivas sensíveis.
Diplomatas brasileiros nos EUA acompanham o caso com apreensão, temendo que a suspensão do processo até as eleições possa ser vista como uma interferência no processo democrático brasileiro. Por outro lado, setores do governo Trump avaliam que a medida pode ser uma forma de pressionar o Brasil sem prejudicar as relações bilaterais de longo prazo.
A audiência de 6 de julho será realizada na Comissão de Relações Exteriores do Senado dos EUA, com transmissão ao vivo. Flávio Bolsonaro deve ser o único representante brasileiro a falar, o que já gerou críticas da oposição, que alega falta de pluralidade na delegação.
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